Estados Unidos

Obama anuncia novo capítulo na diplomacia dos EUA para o Oriente Médio

Reuters

Obama disse que EUA apoiam transição democrática na região

Seis meses depois do início da onda de manifestações pró-democracia no Oriente Médio e no norte da África, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que se abre “um novo capítulo” na diplomacia dos Estados Unidos para a região.

“Será a política dos Estados Unidos promover reformas na região e apoiar transições para a democracia”, disse Obama, em um discurso no Departamento de Estado, em Washington.

“Apesar de esses países estarem a uma grande distância das nossas fronteiras, nós sabemos que o nosso próprio futuro está ligado a essa região por forças econômicas e de segurança, de história e de fé.”

O pronunciamento foi o primeiro de Obama depois do início das revoltas populares em diversos países da região e vinha sendo antecipado por analistas como o marco de uma nova fase nas relações com o mundo árabe e muçulmano, após a morte do líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

Desde dezembro, protestos populares já levaram à queda dos governos da Tunísia e do Egito e se espalharam por países como Líbia, Síria, Iêmen e Bahrein.

“Dois líderes foram afastados. Outros poderão seguir”, afirmou o presidente.

De acordo com Obama, os eventos dos últimos seis meses mostram que “estratégias de repressão” não funcionam mais.

“As TVs via satélite e a internet oferecem uma janela para o mundo, um mundo de progresso surpreendente em países como a Índia, a Indonésia e o Brasil”, afirmou.

Público interno

Segundo analistas, o discurso de Obama também buscou convencer o público americano sobre a importância do dinheiro e dos esforços investidos na região, em um momento em que os Estados Unidos enfrentam dificuldades econômicas.

“Nem todos os países irão seguir a nossa forma particular de democracia representativa, e haverá períodos em que nossos interesses de curto prazo não vão se alinhar perfeitamente com a nossa visão de longo prazo para a região”, disse.

O presidente afirmou, porém, que os Estados Unidos vão continuar a defender uma série de princípios fundamentais na região, como liberdade de expressão, religião e igualdade.

De acordo com Obama, há décadas os Estados Unidos buscam uma série de objetivos na região, como derrotar o terrorismo, conter a expansão nuclear, garantir o fluxo de comércio, a segurança de Israel e a paz entre israelenses e palestinos.

No entanto, o presidente disse que é preciso falar às aspirações mais amplas do povo da região, para combater as suspeitas de que os Estados Unidos apenas buscam seus próprios interesses na região.

“Um fracasso em mudar nossa estratégia ameaça aprofundar a espiral de divisão entre os Estados Unidos e as comunidades muçulmanas”, afirmou, ao lembrar que há desconfianças de ambos os lados.

O presidente americano citou a morte de Osama Bin Laden – em uma operação de forças especiais americanas no Paquistão, no início do mês – e disse que as ideias do líder da Al-Qaeda já vinham sendo rejeitadas na região.

“Quando encontramos Bin Laden, a agenda da Al-Qaeda estava sendo vista pela vasta maioria da região como um beco sem saída, e o povo do Oriente Médio e do norte da África havia tomado seu futuro em suas próprias mãos”, afirmou.

Inimigos e aliados

Em seu discurso, Obama voltou a justificar o envolvimento americano na Líbia, onde o país faz parte das forças internacionais que dão apoio aos rebeldes na luta contra o coronel Muamar Khadafi.

“Na Líbia, nós vimos a perspectiva de um massacre iminente, tínhamos um mandato para agir (após resolução do Conselho de Segurança da ONU autorizando a ação internacional) e ouvimos o chamado do povo líbio por ajuda”, disse.

Obama também voltou a citar o caso da Síria, um dia depois de ter assinado a imposição de novas sanções americanas, direcionadas, de maneira inédita, ao próprio presidente sírio, Bashar al-Assad, por conta da violência empregada na repressão aos protestos.

“O presidente Assad tem agora uma escolha: ele pode liderar essa transição, ou sair do caminho”, afirmou. “Caso contrário, o presidente Assad e seu regime vão continuar a ser desafiados dentro de casa e isolados no exterior.”

Obama acusou ainda a Síria de buscar no Irã, seu aliado, assistência nas táticas de repressão, e voltou a dizer que “o povo iraniano merece seus direitos universais, e um governo que não sufoque suas aspirações”.

No entanto, o presidente parece ter tentado responder às críticas de que seu governo teria adotado uma posição incoerente em relação à onda de protestos, demorando mais a denunciar a repressão em países liderados por aliados americanos.

“Se os Estados Unidos quiserem ser dignos de confiança, nós precisamos reconhecer que nem todos os nossos amigos na região reagiram ao clamor por mudança de maneira coerente com os princípios que enumerei hoje”, disse, citando os casos do Iêmen e do Bahrein, aliados americanos onde manifestantes também foram reprimidos com violência.

Ajuda

O pronunciamento desta quinta-feira ocorre dois anos após o histórico discurso do Cairo, em 2009, que relançou as bases do relacionamento dos Estados Unidos com o mundo árabe e muçulmano, e em um momento em que a imagem dos Estados Unidos está em baixa na região.

Obama usou o discurso para anunciar uma série de medidas de ajuda a países palco de movimentos pró-democracia, entre elas um pacote de auxílio econômico ao Egito que inclui US$ 1 bilhão em alívio de dívidas e US$ 1 bilhão em empréstimos.

Obama disse que os Estados Unidos pediram ao Banco Mundial e ao FMI que apresentem um plano para a estabilização e a modernização das economias da Tunísia e do Egito.

Afirmou ainda que os Estados Unidos vão iniciar uma grande parceria em comércio e investimentos com o Oriente Médio e o norte da África.

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