Jornalista detida na Síria diz ter escutado espancamentos na prisão

Foto de arquivo de Dorothy Parvaz (AP) Direito de imagem AP
Image caption Dorothy Parvaz foi a Damasco cobrir protestos antigoverno no país

Uma jornalista detida na Síria relatou que, durante os três dias que passou na prisão, escutou prisioneiros sendo espancados pela polícia, num momento em que o governo sírio combate uma onda de protestos pró-democracia.

“Fiquei em uma prisão síria por três dias e duas noites, e o que escutei foram espancamentos selvagens”, disse em entrevistas Dorothy Parvaz, jornalista de origem iraniana e dona de cidadanias americana e canadense.

Ela foi detida em 29 de abril, quando chegou à Síria para cobrir os protestos antigoverno no país pela rede Al-Jazeera.

“Não sei o que aqueles homens (prisioneiros) tinham feito. Um agente de segurança disse que dois deles eram responsáveis por assassinatos em Deraa (cidade no sul do país), mas claro que não havia como ter certeza, já que não vi nenhum sistema judicial. Só ouvi homens apanhando, próximos da morte, gritando.”

Segundo ela, a justificativa oficial para sua prisão, pouco depois de ter desembarcado em Damasco, foi que havia irregularidades com seus documentos.

Parvaz não pôde fazer contato com o mundo exterior até ser solta. No início de maio, ela foi enviada ao Irã, onde também chegou a ficar detida. Nesta quarta-feira, saiu do Irã em direção ao Qatar, sede da Al-Jazeera.

Durante seu tempo presa na Síria, ela contou ter sido vendada e algemada e deixada em um pátio, “para escutar esses espancamentos, de manhã até a noite. Foi uma experiência terrível, parecia interminável”.

‘Cobrir os ouvidos’

“Parece para mim que a Síria quer que todos nós cubramos nossos ouvidos. Eles dizem que a Al-Jazeera e a (ONG) Human Rights Watch estão exagerando o problema (da repressão aos manifestantes antigoverno). Então, por que não deixar os repórteres entrarem (na prisão para documentar as ocorrências), por que não dar a esses homens o direito a um processo legal, por que mandá-los para onde ninguém pode escutá-los e bater neles?”, questionou Parvaz.

Também nesta quarta-feira, o governo americano anunciou a imposição de sanções contra o presidente da Síria, Bashar Al-Assad, por supostos abusos de direitos humanos na repressão de manifestações pró-democracia, que começaram em meados de março.

A ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama impõe o congelamento de bens e ativos que Assad e outras seis autoridades sírias possuam nos Estados Unidos. Ela também proíbe americanos de fazer negócios com essas pessoas.

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