Manifestações se espalham pela Espanha apesar de proibição

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Image caption Manifestantes acampados na praça Puerta del Sol, em Madri: protesto contra plano de austeridade do governo

Milhares de pessoas voltaram a se reunir em cidades ao redor da Espanha neste sábado para protestar contra o índice de desemprego e medidas de austeridade do governo. Os protestos continuam em desafio a uma proibição a manifestações políticas na véspera de eleições, que acontecem neste domingo no país.

O protesto começou em Madri há seis dias na principal praça da capital, a Puerta del Sol, pela iniciativa de jovens espanhóis, que protestam contra o índice de 45% de desemprego em sua faixa etária.

Cerca de 25 mil manifestantes permaneceram no nocal, a maioria acampados, durante a noite desta sexta-feira. Eles desafiaram uma proibição da Comissão Eleitoral da Espanha, que ordenou sua retirada da praça até a meia-noite de sexta-feira, quando entrou em vigor a proibição contra manifestações.

A Espanha vai às urnas no domingo em eleições regionais e locais.

A polícia não entrou em ação para desmobilizar o protesto. Neste sábado, mais pessoas se reuniram ao redor da praça para participar de discussões e debates.

Segundo a agência Efe, os protestos deste sábado reuniram cerca de 60 mil pessoas pela Espanha, em cidades como Barcelona, Valência, Sevilha e Bilbao, além da capital.

A multidão cresceu na capital, e os protestos se espalharam para cidades ao redor da Espanha.

Os manifestantes pedem emprego, melhores condições de vida, um sistema democrático mais justo e mudanças nos planos de austeridade do governo socialista espanhol.

"Eles querem nos deixar sem saúde pública, sem educação pública, metade de nossos jovens está desempregada, eles aumentaram a idade para a aposentadorai também", disse a manifestante Natividad Garcia. "Isso é um ataque contra o pouco Estado de bem-estar social que temos".

Desemprego

Outro manifestante diz que se juntou aos protestos por não ter perspectivas de emprego, apesar de ter um diploma.

"As classes políticas devem saber que isso não está certo", disse Inma Moreno, de 25 anos.

Muitos dos participantes traçaram paralelos entre suas ações e os protestos pró-democracia no centro do Cairo, que culminaram com a derrocada do presidente Hosni Mubarak.

Manifestações políticas e comícios são proibidos pela lei espanhola antes de eleições, para permitir que a população tenha um "dia de reflexão".

Alguns manifestantes disseram temer que haja repressão policial, mas o ministro do Interior, Alfredo Perez Rubalcaba, disse que a polícia "não iria resolver um problema criando outro".

A repórter da BBC em Madri Sarah Rainsford disse que houve um momento de silêncio quando a proibição entrou em vigor, à meia-noite, antes de a multidão explodir em gritos, cantos e palmas.

A polícia estava no local, mas não interveio.

O índice de desemprego de 21,3% da Espanha é o maior da Uniao Europeia - um número recorde de 4,9 milhões de pessoas estão desempregadas no país, a maioria jovens.

O primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, disse ter empatia com os manifestantes, ressaltando seus "meios pacíficos".

"Minha obrigação é ouvir, ser sensível, tentar responder através do governo para que possamos recuperar a economia e o emprego o mais rapidamente possível", disse ele à rádio Cadena Ser.

Seu governo socialista, entretanto, deve ser punido nas eleições locais e regionais de domingo.

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