Governo espanhol admite derrota em pleito marcado por insatisfação popular

O presidente de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, reconheceu a derrota de seu partido, o Socialista, nas eleições regionais realizadas neste domingo, num período de forte insatisfação popular pelo desemprego e pelas medidas de austeridade que vigoram no país. No início da noite (horário de Brasília), com cerca de 91% dos votos municipais contados, o Partido Popular (centro-direita), principal agremiação de oposição, liderava com uma margem média de dez pontos percentuais. O PP também saiu na dianteira na contagem de votos em praticamente todos os 13 governos regionais disputados no pleito deste domingo. O revés governista já era esperado, já que a votação ocorreu em meio a protestos que se espalharam pelo país, questionando a condução da economia por parte do governo – o índice de desemprego da Espanha, de 21,3%, é o maior da União Europeia. Muitos manifestantes permaneciam acampados nas principais praças do país e previam manter os protestos ao longo de mais uma semana. Em entrevista coletiva, Zapatero admitiu que a derrota eleitoral “tem claríssima relação” com os problemas econômicos do país, mas afirmou que não pretende antecipar as eleições gerais espanholas, previstas para março do ano que vem.  “Hoje, sem dúvida, os cidadãos expressaram seu mal-estar”, declarou Zapatero. “(A crise econômica) destruiu milhares de empregos e teve profundo efeito no ânimo dos cidadãos. Eu sei que muitos espanhóis passam por grandes dificuldades e temem por seu futuro.” O presidente de governo também parabenizou seus adversários do PP e prometeu pressionar por reformas que combatam o desemprego no país.  Condições de vida Em protestos que duraram seis dias – e desafiaram, no último sábado, um veto a manifestações em vésperas de eleições -, os manifestantes pediam empregos, melhores condições de vida, um sistema democrático mais justo e mudanças nos planos de austeridade do governo socialista espanhol. "Eles querem nos deixar sem saúde pública, sem educação pública, metade de nossos jovens está desempregada, eles aumentaram a idade para a aposentadoria também", disse à BBC a manifestante Natividad Garcia. "Isso é um ataque contra o pouco Estado de bem-estar social que temos." O principal foco de protestos foi a praça Puerta del Sol, em Madri, que chegou a abrigar cerca de 30 mil manifestantes. Foram realizadas marchas também em cidades como Barcelona, Valência, Sevilha e Bilbao, mas sem relatos de confrontos com a polícia. Direito de imagem AFP
Image caption Oposição liderava contagem de votos

O presidente de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, reconheceu a derrota de seu partido, o Socialista, nas eleições regionais realizadas neste domingo, em um momento de forte insatisfação popular pelo desemprego e pelas medidas de austeridade que vigoram no país.

No início da noite (horário de Brasília), com cerca de 91% dos votos municipais contados, o Partido Popular (centro-direita), principal agremiação de oposição, liderava com uma margem média de dez pontos percentuais.

O PP também saiu na dianteira na contagem de votos em praticamente todos os 13 governos regionais disputados no pleito deste domingo.

O revés governista já era esperado, já que a votação ocorreu em meio a protestos que se espalharam pelo país, questionando a condução da economia por parte do governo – o índice de desemprego da Espanha, de 21,3%, é o maior da União Europeia.

Muitos manifestantes permaneciam acampados nas principais praças do país e previam manter os protestos ao longo de mais uma semana.

Em entrevista coletiva, Zapatero admitiu que a derrota eleitoral “tem claríssima relação” com os problemas econômicos do país, mas afirmou que não pretende antecipar as eleições gerais espanholas, previstas para março do ano que vem.

“Hoje, sem dúvida, os cidadãos expressaram seu mal-estar”, declarou Zapatero. “(A crise econômica) destruiu milhares de empregos e teve profundo efeito no ânimo dos cidadãos. Eu sei que muitos espanhóis passam por grandes dificuldades e temem por seu futuro.”

O presidente de governo também parabenizou seus adversários do PP e prometeu pressionar por reformas que combatam o desemprego no país.

Direito de imagem Reuters
Image caption Manifestantes acampados na praça Puerta del Sol, em Madri

Condições de vida

Em protestos que duraram seis dias – e desafiaram, no último sábado, um veto a manifestações em vésperas de eleições -, os manifestantes pediam empregos, melhores condições de vida, um sistema democrático mais justo e mudanças nos planos de austeridade do governo socialista espanhol.

"Eles querem nos deixar sem saúde pública, sem educação pública, metade de nossos jovens está desempregada, eles aumentaram a idade para a aposentadoria também", disse à BBC a manifestante Natividad Garcia.

"Isso é um ataque contra o pouco Estado de bem-estar social que temos."

O principal foco de protestos foi a praça Puerta del Sol, em Madri, que chegou a abrigar cerca de 30 mil manifestantes.

Foram realizadas marchas também em cidades como Barcelona, Valência, Sevilha e Bilbao, mas sem relatos de confrontos com a polícia.

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