Sudão do Sul acusa Norte de 'ato de guerra'

Militares do norte do Sudão (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Tropas do norte do Sudão dizem controlar cidade disputada com o sul

O Sudão do Sul afirmou que a ocupação de Abyei, na fronteira com o Sudão do Norte, foi um "ato de guerra" neste domingo.

A tomada da cidade, no sábado, aconteceu após três dias de confrontos entre tropas das duas regiões, que vem disputando a área rica em petróleo.

Em entrevista à BBC, o coronel Philip Aguer afirmou que o Norte atacou a área com 5 mil soldados, matando civis e soldados do Sul.

Aguer fez um apelo às Nações Unidas para que interrompam o que classificou de "agressão", acrescentando que o Sul não deve retaliar "por enquanto".

Os Estados Unidos condenaram a tomada de Abyei, enquanto o Conselho de Segurança da ONU pediu um cessar-fogo imediato.

Os conflitos ocorrem poucas semanas antes da independência do Sudão do Sul e poderia ser o estopim de uma guerra entre vizinhos.

Bombardeios aéreos

Na última sexta-feira, uma ponte que liga Abyei à região sul sudanesa já havia sido alvejada por bombardeios aéreos.

E, na véspera, um comboio das Nações Unidas havia sido atacado enquanto escoltava tropas do norte para fora da cidade.

O incidente fez com que os EUA pedissem explicações ao Sudão do Sul.

O Sudão do Sul deve declarar sua independência em julho. Em janeiro, a medida foi aprovada pela população em um referendo.

Mas sul e norte permanecem em desacordo quanto a Abyei, que cada lado reivindica.

Uma versão preliminar da Constituição do novo país diz que Abyei deve ficar com o sul. Mas o presidente sudanês, Omar al-Bashir, ameaçou não reconhecer o novo Estado se este reivindicar a cidade.

Até recentemente, tais confrontos eram acontecimentos raros nas imediações da cidade.

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