Mubarak e seus filhos serão julgados por morte de manifestantes

Família Mubarak: da esqueda para a direita: Ala, Susanne, Hosni e Gamal (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Gamal (direita) e Ala (ao lado de Suzanne) estão presos no Cairo

O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak e seus dois filhos Gamal e Ala serão julgados pela morte de manifestantes, disse nesta terça-feira a promotoria do país.

Os três foram indiciados por “assassinato premeditado de alguns participantes dos protestos pacíficos da revolução de 25 de janeiro”, afirmou a Justiça egípcia, por meio de um comunicado citado pela agência estatal egípcia Mena.

Acredita-se que mais de 800 pessoas tenham sido mortas durantes os 18 dias de protestos no Egito, no início do ano, que tiveram como centro a Praça Tahrir, no Cairo, e que levaram à renúncia de Mubarak. Milhares de ativistas ficaram feridos.

Organização de direitos humanos e pró-democracia acusam as forças de segurança do Egito de terem sido violentas e de terem praticado tortura durante os protestos.

Enriquecimento

Além de assassinato, o ex-presidente será processado por enriquecimento ilícito durante o tempo em que esteve no poder.

Oposicionistas dizem acreditar que Mubarak acumulou irregularmente uma fortuna de dezenas de bilhões de dólares. O ex-presidente nega as alegações e diz que não foram apresentadas evidências fortes de seu enriquecimento.

No entanto, contas bancárias no Cairo e na Suíça foram congeladas.

Mubarak, 83 anos, governou o país por quase 30 anos antes de ser derrubado em 11 de fevereiro.

Ele está detido em um hospital no balneário de Sharm el-Sheikh. Seus dois filhos estão presos na prisão de Tora, no Cairo.

A mulher do ex-presidente, Suzanne Mubarak, 70 anos, foi liberada pela Justiça nesta semana, mas não está claro se ela também será julgada.

Aliados

Mais de 20 ministros e empresários ligados ao regime de Mubarak foram detidos desde fevereiro.

No começo do mês, o ex-ministro do Interior Habib al-Adly foi condenado a 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Ele ainda enfrenta acusações de ter ordenado que forças de segurança disparassem contra manifestantes.

O anúncio da promotoria egípcia ocorreu após a convocação de grandes protestos para esta sexta-feira, pedindo o julgamento de Mubarak e o fim das leis de emergência que ainda vigoram no país.

O protesto foi organizado pela Coalizão de Jovens da Revolução, um dos principais grupos participantes do levante de 25 de janeiro.

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