Israel será 'generoso' mas firme com fronteiras palestinas, diz Netanyahu

Netanyahu no Congresso americano (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Netanyahu foi ovacionado várias vezes pelos congressistas americanos

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse nesta terça-feira no Congresso dos Estados Unidos que seu país será "generoso" em relação ao tamanho de um futuro Estado palestino, mas não vai admitir um retorno às fronteiras de 1967 ou a divisão da cidade de Jerusalém.

"Israel será generoso em relação ao tamanho do Estado palestino, mas será muito firme sobre onde nós colocaremos nossa fronteira com ele. Este é um princípio importante", disse Netanyahu, que foi constantemente ovacionado durante a sessão conjunta do Congresso americano na qual discursou.

O debate em torno das fronteiras ganhou força após o presidente americano, Barack Obama, ter dito em um discurso na semana passada que um futuro Estado palestino deveria ser baseado nas demarcações existentes antes do conflito de 1967.

O governo israelense rejeita essa proposta, que se refere às fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias, na qual Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que pertenciam à Jordânia, além da Faixa de Gaza e da Península do Sinai (sob controle do Egito) e das Colinas de Golã (da Síria). Israel, posteriormente, decretou a anexação de Jerusalém Oriental e as Colinas de Golã.

O premiê israelense já havia manifestado seu descontentamento ao ser recebido por Obama na Casa Branca, na última sexta-feira, um dia após o discurso do presidente americano.

Compromisso

Nesta terça-feira, diante de congressistas democratas e republicanos, Netanyahu disse que permanece comprometido com uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos que inclua dois Estados lado a lado. "Eu estou disposto a assumir compromissos dolorosos para atingir essa paz histórica", disse o primeiro-ministro.

O premiê israelense voltou a dizer que a demarcação de 1967 é "indefensável" e que um acordo deve refletir as "mudanças demográficas dramáticas" ocorridas desde então, já que cerca de 500 mil israelenses vivem hoje além das fronteiras daquele período (cerca de 300 mil na Cisjordânia e 200 mil em Jerusalém Oriental).

"Sob qualquer acordo de paz realista, essas áreas, assim como outras de vital importância estratégica e nacional, serão incorporadas às fronteiras finais de Israel", disse.

Segundo Netanyahu, o status dos assentamentos israelenses nos territórios ocupados só poderá ser decidido com negociações, mas alguns poderão acabar fora das fronteiras de Israel.

Hamas x Fatah

A respeito dos refugiados palestinos que deixaram a região em 1948 – outra questão polêmica nas negociações de paz –, o premiê disse que eles deveriam ter o direito de imigrar para um futuro Estado palestino, assim como o direito dado a judeus de todo o mundo com a criação de Israel. "Isso significa que o problema dos refugiados palestinos será resolvido fora das fronteiras de Israel", disse.

Netanyahu mencionou ainda o recente acordo firmado entre o Fatah, que lidera a Autoridade Palestina na Cisjordânia (sob ocupação de Israel), e o Hamas, que tomou o controle do governo da Faixa de Gaza e é considerado um "grupo terrorista" por Israel.

"O Hamas não é um parceiro para a paz. O Hamas permanece comprometido com a destruição de Israel e o terrorismo", disse.

“Então, eu digo ao presidente (palestino, Mahmoud) Abbas: rasgue seu acordo com o Hamas”, afirmou Netanyahu, com veemência.

Logo após o discurso, um porta-voz de Abbas disse que as declarações de Netanyahu serviram apenas para colocar mais um obstáculo à paz.

Relação com EUA

Netanyahu parabenizou Obama pela ação das forças especiais americanas que matou o líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e falou sobre os laços de seu país com os Estados Unidos e a importância de Israel no Oriente Médio.

"Israel não tem amigo melhor que os Estados Unidos. E os Estados Unidos não têm amigo melhor que Israel", disse.

"Nós estamos juntos para defender a democracia. Nós estamos juntos para fazer avançar a paz. Nós estamos juntos para lutar contra o terrorismo."

O primeiro-ministro israelense citou as sanções americanas e da ONU contra o programa nuclear iraniano e pediu que os Estados Unidos continuem enviando "uma mensagem inequívoca" de que nunca permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares.

"Menos de sete décadas depois que 6 milhões de judeus foram assassinados, o líder do Irã nega o Holocausto do povo judeu, enquanto pede pela aniquilação do Estado judeu", disse, referindo-se ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"Se a história ensinou alguma coisa ao povo judeu é que nós devemos levar apelos por nossa destruição de maneira muito séria."

Oriente Médio

Segundo Netanyahu, Israel é uma "âncora de estabilidade" em um Oriente Médio instável e um "aliado inabalável" dos Estados Unidos. "Israel sempre foi pró-americano, Israel sempre será pró-americano", afirmou o premiê.

Netanyahu disse que, dos 300 milhões de árabes que vivem no Oriente Médio e no norte da África, somente os 1,5 milhão que vivem em Israel são "verdadeiramente livres".

"Israel não é o que há de errado com o Oriente Médio, Israel é o que há de correto no Oriente Médio", disse.

Em meio aos aplausos, Netanyahu só foi interrompido por uma manifestante que invadiu o local e denunciou o tratamento dado por Israel aos palestinos. A ativista gritou: "Parem os crimes de guerra israelenses".

Ela foi imediatamente retirada do local pela polícia. Sem se abalar, Netanyahu usou o episódio para elogiar a democracia americana ao afirmar que esse tipo de protesto não seria permitido em locais como as capitais do Irã, Teerã, ou do Líbano, Trípoli.

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