Ministra da economia francesa anuncia candidatura ao FMI

A ministra da Economia francesa Christine Lagarde Direito de imagem AFP
Image caption Lagarde é a favorita para suceder Strauss-Kahn na direção do FMI

A ministra da Economia da França, Christine Lagarde, anunciou nesta quarta-feira sua candidatura à direção-geral do Fundo Monetário Internacional.

O processo de escolha do próximo diretor-gerente do FMI foi aberto com a renúncia do francês Dominique Strauss-Kahn, indiciado por agressão sexual nos Estados Unidos.

“É com o objetivo de obter o mais amplo consenso que apresento minha candidatura”, disse Lagarde em uma coletiva de imprensa.

O governo francês declarou ter o apoio de vários países europeus, como a Alemanha, a Grã-Bretanha e a Itália, e afirmou que a candidatura de Lagarde seria “um consenso” no continente.

Lagarde disse que, caso seja eleita, dará continuidade à reforma em andamento do FMI para ampliar a representatividade dos países emergentes no órgão.

"A instituição deverá se ajustar aos novos equilíbrios mundiais. A emergência de novos atores como China, Índia, Brasil e Rússia leva a questionar a representatividade (atual) deles no seio da instituição", disse ela.

A candidatura da ministra teria o apoio da China, segundo o porta-voz do governo francês, François Baroin, que poderá substituir Lagarde no ministério da Economia.

O governo chinês, no entanto, não comentou as declarações do porta-voz.

Até o momento, sabe-se que Lagarde terá como rivais na disputa o presidente do banco central mexicano Augustin Carstens e o sul-africano Trevor Manuel, ex-ministro das Finanças, além de Grigori Martchenko, presidente do banco central do Cazaquistão.

O ministro belga das Finanças, Didier Reynders, também manifestou a intenção de se candidatar à direção do FMI, como ainda o polonês Leszek Balcerowicz, que comandou as reformas econômicas do país.

'Acordo'

Outras economias emergentes, como o Brasil, contestam a tradição de passar a direção do FMI sempre a um europeu.

Em uma carta enviada na semana passada aos representantes do G20 sobre a posição brasileira em relação à sucessão no FMI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que “já se passou o tempo em que poderia ser remotamente apropriado reservar esse importante cargo para um cidadão europeu”.

“O Brasil sempre apoiou a posição de que a seleção deve ser baseada no mérito, independentemente da nacionalidade”, disse Mantega.

Na última terça-feira, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul divulgaram comunicado expressando “preocupação” com o processo de escolha do novo diretor-gerente do FMI e dizendo que a escolha com base na nacionalidade prejudica a legitimidade do órgão.

Na coletiva desta quarta-feira, a ministra Lagarde negou que haja um “acordo” tácito entre americanos e europeus prevendo que a direção do FMI seja sempre ocupada por um europeu, enquanto o Banco Mundial seria sempre presidido por um americano.

“Não existe um arranjo desse tipo. As candidaturas são examinadas de maneira transparente e aberta e com base no mérito dos candidatos. É nesse processo que a minha candidatura se insere”, disse Lagarde.

“Isso significa que não é necessariamente um europeu (que deve dirigir o FMI). Da mesma forma que ser europeu não representa um trunfo nem uma deficiência”, afirmou.

Mas a candidatura de Lagarde pode enfrentar um problema de peso perante o conselho de administração do FMI.

A Justiça francesa deve anunciar no dia 10 de junho, data de encerramento para a apresentação das candidaturas ao FMI, se irá ou não abrir investigações sobre a ministra por sua suposta atuação no polêmico caso envolvendo uma indenização de 285 milhões de euros ao empresário francês Bernard Tapie.

O caso se estendeu na Justiça por 15 anos. O empresário alegava ter sofrido prejuízos com a venda da Adidas, que teriam sido causados pelo banco Crédit Lyonnais, na época estatal.

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