Discurso em Washington fortalece posição doméstica de Netanyahu

Netanyahu foi aplaudido durante o discurso e recebeu os cumprimentos dos congressistas depois (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Netanyahu foi aplaudido durante o discurso e recebeu os cumprimentos dos congressistas depois

O discurso do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, perante o Congresso dos Estados Unidos na terça-feira fortaleceu a posição do líder israelense em seu país, segundo pesquisas de opinião e analistas locais.

O canal estatal da TV israelense divulgou resultados de uma pesquisa indicando que a maioria do publico local aprovou o discurso e as posições defendidas por Netanyahu em Washington.

Em seu discurso, Netanyahu disse que seu país será "generoso" em relação ao tamanho de um futuro Estado palestino, mas não vai admitir um retorno às fronteiras de 1967 ou a divisão da cidade de Jerusalém.

Essa posição bate de frente com um discurso prévio do presidente americano, Barack Obama, defendendo que um futuro Estado palestino deveria ser baseado nas demarcações existentes antes de 1967, com trocas acordadas de certas áreas.

A pesquisa de opinião do Canal 1 indicou que o partido de Netanyahu, Likud, obteria o maior numero de cadeiras no Parlamento israelense e seria novamente o partido líder da coalizão governamental, com 33 dos 120 assentos, no caso de uma eleição imediata.

O partido de centro Kadima, que liderava as pesquisas anteriores, obteria apenas 22 cadeiras, e em terceiro lugar ficaria o partido Israel Beitenu, do chanceler Avigdor Lieberman, com 17 cadeiras.

A pesquisa também revela que a maioria dos israelenses apoia a posição de Netanyahu em seu principal ponto de divergência com Obama.

Segundo a pesquisa, 61% dos israelenses são contra o retorno às fronteiras anteriores à guerra de 1967, com trocas acordadas de áreas.

De acordo com analistas locais, com seus discursos em Washington, Netanyahu "conseguiu consolidar sua posição como líder incontestável da direita", posição que vinha sendo disputada pelo chanceler Lieberman.

Fortalecimento

Os elogios proferidos por parceiros de Netanyahu na coalizão governamental também indicam que o premiê conseguiu fortalecer seu governo.

Segundo Yaron Dekel, analista da radio israelense, Kol Israel, "agora Netanyahu poderá governar sossegado até 2013 (quando deverão ser realizadas as próximas eleições em Israel)".

Os analistas observaram que as ovações de congressistas ao discurso de Netanyahu - 31 ao todo, segundo cálculos da imprensa - foram motivo de orgulho para muitos israelenses, fortalecendo ainda mais a imagem do premiê aos olhos da opinião pública.

O analista Oren Nahari, da TV israelense, ironizou os aplausos dos congressistas americanos ao premiê israelense.

"Parece que Netanyahu conseguiu fazer a paz com o Congresso americano", disse Nahari, em referência à falta de avanço nas negociações de paz com os palestinos.

Os analistas israelenses concordam que as posições apresentadas por Netanyahu em Washington não levarão à retomada do processo de paz.

Para o deputado Shaul Mofaz, do partido Kadima, as posições de Netanyahu levarão o país "a um confronto com os palestinos em setembro".

O presidente palestino Mahmoud Abbas já declarou que, na ausência de um processo de paz, pretende se dirigir à Assembleia Geral da ONU, em setembro, para pedir o reconhecimento ao Estado Palestino nas fronteiras de 1967.

Um dos líderes do Fatah, Nabil Shaat, declarou que o discurso de Netanyahu em Washington significa uma "declaração de guerra" contra os palestinos.

"Com seus 'nãos' em Washington, Netanyahu matou o processo de paz", disse Shaat, em referencia às posições incisivas do premiê israelense contra o retorno dos refugiados palestinos, a divisão de Jerusalém, a volta às fronteiras de 1967 e o diálogo com qualquer governo palestino que inclua o Hamas.

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