Saiba quais as acusações que pesam contra Ratko Mladic

O general sérvio-bósnio Ratko Mladic deverá ser extraditado da Sérvia para Haia, na Holanda, onde está o Tribunal da ONU para a Antiga Iugoslávia.

Ele enfrenta 15 acusações, incluindo genocídio, crimes contra a Humanidade e violação das leis de guerra na Bósnia-Herzegovina, entre abril de 1992 e julho de 1995.

O indiciamento afirma que Mladic foi responsável pela perseguição de muçulmanos bósnios e civis croatas bósnios. O tribunal da ONU afirma que os esquadrões de Mladic mataram cerca de "oito mil meninos e homens muçulmanos" capturados em Srebrenica em julho de 1995.

Acusações 1 e 2: genocídio, cumplicidade em genocídio

Individualmente ou com a ajuda de outros, planejar, instigar, ordenar, cometer e/ou ajudar na destruição parcial intencional de grupos bosniaks (muçulmanos bósnios) com bases em nacionalidade, raça ou religião.

Forças sérvio-bósnias sob o comando de Mladic alvejaram grande número de bósnios muçulmanos com intenção de destruir o grupo. Eles são acusados de matar, deportar e transferir à força centenas de milhares de não-sérvios.

Após a queda de Srebrenica, diz o indiciamento, milhares de homens muçulmanos bósnios foram executados em Bratunac, Srebrenica, Vlaseniva e Zvornik, de forma organizada e sistemática, ao longo de vários dias.

Acusação 3: perseguição

Individualmente ou com a ajuda de outros, planejar, instigar, ordenar, cometer e/ou ajudar na perseguição de bosniaks, croatas bósnios ou outras populações não-sérvias.

As perseguições incluíram assassinatos perpetrados durante e depois de ataques a cidades ou vilarejos, além de campanha de terror que incluiu tortura, abuso físico e psicológico, violência sexual, transferência forçada ou deportação, destruição de casas e locais sagrados.

Também incluiu manter pessoas em centros de detenção em condições desumanas e o uso de trabalho forçado (incluindo a abertura de covas).

Acusações 4,5 e 6: extermínio e assassinato

Planejar, instigar, ordenar, cometer e/ou ajudar ou apoiar o extermínio e assassinato de bosniaks e croatas bósnios nas municipalidades; assim como o extermínio de bosniaks de Srebrenica, e o assassinato em massa de civis em Sarajevo, com bombardeios e franco-atiradores.

Saber, ou ter motivos para saber, que extermínio e assassinatos estavam para ser cometidos por seus subordinados, e não ter agido para impedir ou punir os responsáveis.

Acusações 7 e 8: deportação, atos desumanos

Individualmente ou em coordenação com outros, planejar, instigar, ordenar, cometer e/ou ajudar e apoiar a transferência forçada e a deportação de bosniaks, croatas bósnios e outros não-sérvios da Bósnia-Herzegovina.

Muitos bosniaks forçados a deixar suas casas fugiram para Srebrenica, que tornou-se praticamente impossível de ser habitada devido a ataques constantes com franco-atiradores ou foguetes.

Acusações 9 a 14: impor terror de forma ilegal a cidadãos, assassinato, tratamento cruel, atos desumanos, ataques a civis

Planejar, instigar, ordenar, cometer e/ou ajudar e apoiar crimes de terror e ataques ilegais a civis.

Isto incluiu uma campanha militar prolongada na qual forças sérvio-bósnias - em particular a corporação Romanija de Sarajevo - usaram artilharia, ataques de morteiro e franco-atiradores contra áreas civis de Sarajevo e sua população civil e instituições, matando e ferindo civis, e portanto também infligindo terror à sua população civil.

Tiros e ataques de morteiro mataram e feriram milhares de civis de ambos os sexos e todas as idades, incluindo crianças e idosos.

Acusação 15: tomada de reféns

Planejar, instigar, ordenar, cometer e/ou ajudar e apoiar a tomada de observadores e forças de paz da ONU como reféns em seguida a bombardeios da Otan em 25 e 26 de maio de 1995.

Para evitar que a Otan realizasse ataques aéreos contra alvos militares sérvio-bósnios, forças sob controle de Mladic prenderam mais de 200 soldados de paz da ONU e observadores militares a serviço da organização, usando-os como escudos humanos em vários locais estratégicos, para tentar impedir ataques.