Fifa anuncia abertura de investigação sobre próprio presidente

Blatter Direito de imagem AFP
Image caption Rival diz que Blatter não se opôs a pagamentos em reunião

A Fifa, entidade que comanda o futebol mundial, anunciou nesta sexta-feira a abertura de uma nova investigação sobre a suposta quebra do código de ética da organização contra o seu próprio presidente, Sepp Blatter.

Na quarta-feira, a Fifa havia anunciado a abertura de um procedimento semelhante contra o rival de Blatter na disputa pela presidência da entidade na eleição programada para o dia 1º de junho, Mohamed Bin Hammam.

A investigação contra Blatter foi pedida pelo próprio Bin Hammam, que alegou que as acusações contra ele que motivaram a abertura da investigação nesta semana já haviam sido informadas anteriormente ao presidente da Fifa, que não teria manifestado objeções.

O alvo do inquérito aberto no comitê de ética da Fifa é o suposto pagamento a 25 dirigentes da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte e do Caribe) que participaram de uma reunião no início de maio em Trinidad e Tobago, convocada conjuntamente por Bin Hammam, presidente da Confederação Asiática de Futebol, e por Jack Warner, presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa.

O jornal britânico Daily Telegraph diz que cada um desses dirigentes recebeu a oferta de US$ 40 mil (quase R$ 65 mil) para votar em Hamman à presidência da Fifa.

As alegações contra Hamman foram feitas pelo americano Chuck Blazer, secretário-geral da Concacaf e membro do Comitê Executivo da Fifa.

"As acusações incluem declarações segundo as quais Blatter (...) foi informado, mas não se opôs a pagamentos supostamente feitos a integrantes da Federação de Futebol do Caribe", afirmou Hammam.

O código de ética da Fifa obriga o seu comitê de ética a investigar qualquer acusação feita por um membro do comitê executivo da entidade.

Eleição

Tanto Blatter quanto Bin Hammam, Warner e dois outros dirigentes caribenhos foram convocados a depor no inquérito no próximo domingo, a apenas dois dias da eleição à presidência da Fifa.

O comitê de ética da Fifa pode decidir pelo afastamento temporário de algum deles do futebol enquanto o caso é investigado, o que os afastaria também da disputa pela Presidência da entidade.

Na quinta-feira, Bin Hammam sugeriu que o processo contra ele tinha motivação política. “Não é coincidência que estas acusações sejam feitas apenas alguns dias antes do Congresso da Fifa, no qual seu novo presidente será eleito", disse um comunicado de Hamman.

Por sua vez, em uma coluna em um blog na internet, Blatter disse que a ideia de que as alegações contra Hamman têm motivação política não tem fundamento.

“Não sinto alegria em ver homens que estiveram ao meu lado por cerca de duas décadas sofrerem humilhação pública sem terem sido condenados por qualquer coisa errada que fizeram”, disse.

Bin Hammam, que é um dos 24 membros do comitê executivo da Fifa há 15 anos, foi apontado como uma das figuras-chave na campanha vitoriosa do Catar, onde nasceu, para ganhar o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022.

Propina

A investigação anunciada na quarta-feira não tem relação com a recente acusação, feita pelo ex-presidente da Associação Inglesa de Futebol David Triesman, de que teria recebido pedidos de propina de quatro membros do comitê executivo da Fifa em troca de apoio para a candidatura da Inglaterra como sede da Copa do Mundo de 2018.

A Rússia foi escolhida como sede desse mundial.

Jack Warner era um dos acusados por Triesman, ao lado do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, do presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, Nicolás Leoz, e do presidente da federação da Tailândia, Worawi Makudi.

Os quatro negam as acusações.

A Associação Inglesa de Futebol deve entregar ainda nesta sexta-feira à Fifa um relatório sobre suas próprias investigações das acusações feitas por Triesman.

Segundo relatos, apenas as acusações contra Warner teriam sido confirmadas por testemunhas. Ele é acusado de pedir ajuda para construir um centro educacional e que a associação inglesa bancasse o pagamento dos direitos de transmissão da Copa para o Haiti.

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