Líder tribal do Iêmen anuncia trégua nos choques com forças do governo

Protesto de sexta-feira em Sanaa (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Violência aumentou após presidente se recusar a firmar acordo

Um dos principais líderes tribais de oposição ao regime do presidente Ali Abdullah Saleh, do Iêmen, anunciou nesta sexta-feira uma trégua nos confrontos entre seus seguidores e as forças do governo.

Sheikh Sadiq Al-Ahmar confirmou a pausa nos combates durante o funeral de 30 de seus partidários mortos em choques com soldados fiéis a Saleh.

Entretanto, Ahmar ressaltou que, se o presidente continuar com a violência, seus combatentes voltarão a lutar.

Desde segunda-feira, acredita-se que mais de 80 pessoas foram mortas nos confrontos entre as forças pró e contra o presidente iemenita.

Ataques aéreos

Ainda nesta sexta-feira, líderes tribais do Iêmen acusaram forças do governo de realizar ataques aéreos em uma região próxima à capital, Sanaa, deixando vários mortos e feridos.

Além dos ataques, também teriam ocorrido confrontos na cidade de Zinjibar, no sul do país, quando dezenas de militantes armados, que seriam ligados à Al-Qaeda, invadiram a cidade e atacaram as forças de segurança, segundo informações de moradores à agência de notícias Reuters.

As tradicionais orações islâmicas de sexta-feira se transformaram em um momento de convocação dos manifestantes que, desde fevereiro, têm pedido nas ruas a renúncia de Saleh.

Nesta semana, os manifestantes contra o governo usaram o Facebook e mensagens de texto para convocar o que chamaram de "Sexta-feira de Revolução Pacífica".

Uma das mensagens afirmava que a manifestação irá "destacar a paz da revolução e a rejeição dos esforços para arrastar o país para uma guerra civil".

Manifestantes partidários de Saleh, por sua vez, combinaram sua própria manifestação, a "Sexta-feira da Lei e da Ordem".

Uma mensagem de texto afirmava que a manifestação dos pró-governo iria "condenar os crimes contra nossos direitos e a rebelião contra o país".

Situação confusa

Segundo o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne, outro líder tribal afirmou que suas forças capturaram nesta sexta-feira uma base do governo nos arredores de Sanaa.

Estes combatentes tribais teriam feito prisioneiros e capturado também uma grande quantidade de equipamentos. Há também informações de que aeronaves do governo teriam bombardeado os rebeldes dentro da base.

Segundo Jon Leyne, informações conflitantes indicam uma situação confusa no Iêmen depois que o presidente Saleh – que governa o Iêmen desde 1978 - se recusou a assinar um acordo de paz, no último domingo.

O acordo, mediado por países do Golfo Pérsico, que previa sua saída do poder no prazo de um mês.

O governo e a oposição já alertaram para o risco de uma guerra civil no país, mas, de acordo com Leyne, os combates ainda não chegaram neste nível de violência.

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