Médicos analisam se Mladic está apto a comparecer a audiência de extradição

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Image caption Mladic é escoltado por policiais em Belgrado

Uma equipe de médicos deve decidir nesta sexta-feira em Belgrado se o general sérvio Ratko Mladic, fugitivo mais procurado da Europa, tem condições de saúde para comparecer a uma audiência que deve decidir sobre sua extradição ao tribunal da ONU para crimes de guerra em Haia, na Holanda.

Mladic, de 69 anos, foi encontrado em um vilarejo no norte da Sérvia, onde vinha vivendo com nome falso, após ter passado 16 anos foragido.

Ele é acusado por crimes de guerra e genocídio durante a guerra da Bósnia (1992 a 1995), quando comandava o Exército do líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic.

Entre as acusações está a de ter ordenado e coordenado o massacre de ao menos 7.500 meninos e homens muçulmanos na cidade de Srebrenica, em 1995 - maior atrocidade cometida na Europa desde a Segunda Guerra.

Derrame

A primeira audiência na corte de Belgrado, nesta quinta-feira, foi interrompida para que Mladic passasse por um exame clínico. Imagens da TV sérvia mostraram o general entrando na corte, andando lentamente e usando um boné.

O advogado de Mladic, Milos Saljic, disse que o juiz tentou questionar o general, mas ele estava “em condições físicas e psicológicas complicadas” e estava incapaz de se comunicar.

Segundo Saljic, seu cliente necessita de tratamento médico e “não deveria ser transportado em tal estado”.

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Image caption O general comandou as forças sérvias na guerra da Bósnia

Mesmo se a audiência for retomada nesta sexta-feira, deve levar até uma semana até que ele possa ser extraditado à Holanda e até 18 meses para que comece seu julgamento no tribunal da ONU em Haia.

Mladic se tornou o mais procurado acusado por crimes de guerra na Bósnia após a prisão de Radovan Karadzic em 2008.

Segundo relatos na mídia sérvia, um dos braços de Mladic estaria paralisado, possivelmente em consequência de um derrame.

“Ele tem consciência de que está preso, sabe onde está, e diz que não reconhece o tribunal de Haia”, afirmou o advogado.

O promotor Bruno Vekaric reconheceu que Mladic está tomando vários remédios, mas disse que ele “respondeu muito racionalmente a tudo o que está acontecendo”.

Pressão

A Sérvia estava sob intensa pressão internacional para prender Mladic e enviá-lo ao tribunal da ONU para crimes de guerra na antiga Iugoslávia, em Haia.

O correpondente da BBC em Belgrado Mark Lowen observa que o governo do presidente sérvio, Boris Tadic, deseja agora que Mladic seja extraditado rapidamente, esperando que sua saída do país evite mais protestos de nacionalistas sérvios que o consideram um herói.

Segundo o presidente sérvio, a prisão de Mladic levou a região e o país para mais perto da reconciliação, e abriu as portas para que a Sérvia se torne país-membro da União Europeia.

Tadic rejeitou críticas de que a Sérvia só tomou alguma atitude a respeito da captura de Mladic após enfrentar intensa pressão internacional.

"Vínhamos cooperando com Haia (o tribunal) por completo desde o começo do mandato deste governo", disse ele.

Uma porta-voz de familiares das vítimas do massacre de Srebrenica, Hajra Catic, disse à agência AFP que "após 16 anos de espera, para nós, familiares das vítimas, isso é um alívio".

A notícia da captura também foi elogiada por representantes de vários governos, incluindo EUA e Grã-Bretanha, além da ONU, União Europeia, Otan e da ONG Anistia Internacional.

Sem disfarce

Image caption Imagem feita por tropas sérvias mostra os corpos de vítimas do massacre de Srebrenica, em 1995

Mladic foi capturado na província de Vojvodina, no começo desta quinta-feira, segundo o ministro da Justiça sérvio, Slobodan Homan.

Fontes de segurança sérvias disseram que três unidades especiais invadiram uma casa perto do vilarejo de Lazarevo, a cerca de 80 quilômetros de Belgrado.

A casa era de um parente de Mladic, e estava sob vigilância havia duas semanas. Mladic estava usando o nome Milorad Komodic.

A rádio sérvia B-92 dise que ele não estava disfarçado - ao contrário de Karadzic, que usava uma longa barba e um rabo-de-cavalo quando foi capturado em Belgrado, há três anos.

O promotor-chefe do tribunal de crimes de guerra da ONU Serge Brammertz comemorou a prisão, dizendo: "Os acontecimentos de hoje mostram que pessoas responsáveis por graves violações da lei humanitária internacional não podem confiar na impunidade".

Importância

O correspondente da BBC em Belgrado Mark Lowen diz que a prisão é incrivelmente importante para os sérvios, já que “muitos sentiam que o destino de seu país estava refém de Mladic e a esperança de ingressar na União Europeia era nula enquanto ele estivesse foragido”.

Depois de viver em liberdade em Belgrado por algum tempo, Mladic desapareceu quando o ex-presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic foi preso, em 2001.

Em 2005, o então ministro do Exterior sérvio, Vuk Draskovic, acusou o serviço secreto do país de saber o paradeiro de Mladic, alegação negada pela agência de inteligência.

A especulação sobre uma prisão iminente de Mladic aumentou quando Karadzic foi capturado em Belgrado, em julho de 2008.

Em 2010, a Sérvia ofereceu uma recompensa de 10 milhões de euros (pouco menos de R$ 23 milhões) por informações que levassem à captura do militar.

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