Ministro francês renuncia após acusações de assédio sexual

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Image caption Georges Tron é acusado por ex-funcionárias (Foto: AFP)

Um ministro francês acusado de ter assediado sexualmente servidoras do município onde ele atua como prefeito anunciou neste domingo a sua renúncia do cargo.

Um comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro francês, François Fillon, afirma que o ministro do Serviço Civil, Georges Tron, agiu "no interesse geral" ao deixar o governo, embora negue as acusações.

"O primeiro-ministro, junto com o presidente da República, toma conhecimento desta decisão, que de maneira alguma prejudica os próximos passos que o sistema judiciário irá tomar em relação às queixas prestadas contra Georges Tron, cuja legitimidade ele contesta", diz o texto.

A renúncia ocorre em meio ao escândalo sexual que derrubou o diretor-geral do FMI e potencial candidato à Presidência da França, Dominique Strauss-Kahn. Ele foi preso em Nova York no início do mês, acusado de assediar uma camareira de hotel.

Promotores franceses abriram uma investigação sobre as acusações de assédio contra Tron, feitas por duas ex-funcionárias da administração do subúrbio parisiense de Draveil, do qual o ex-ministro é prefeito.

As mulheres acusam Tron de molestá-las quando trabalhavam para ele, sob o pretexto de fazê-las massagens nos pés, por várias vezes entre 2007 e 2010.

No entanto, uma das acusadoras disse que, depois de iniciar a massagem, a "terapia se degenerava rapidamente", de acordo com a agência AP.

Inspiração em Strauss-Kahn

Uma das ex-funcionárias, identificada como Laura, disse ao jornal Le Parisien que se sentiu inspirada a fazer algo depois do caso envolvendo o ex-diretor-gerente do FMI.

"Quando eu vejo que uma pobre camareira é capaz de denunciar Dominique Strauss-Khan, eu digo a mim mesma que não tenho o direito de continuar calada", afirmou ela ao jornal.

"Outras mulheres estão sofrendo o que eu sofri. Eu tenho que ajudá-las. Nós temos que quebrar este código de silêncio."

Durante a semana, uma procuradora disse que Tron corre o risco de ser indiciado por assédio sexual e estupro.

Tron, que é casado e tem três filhos, nega as acusações, dizendo que elas são "incríveis". Ele está acionando as ex-funcionárias na Justiça por difamação.

"Tudo isto é grotesco", disse o advogado do ex-ministro, Olivier Schnerb. "Esta é uma sucessão de falsas afirmações que são inteiramente difamatórias."

Tron também tentou atrelar ao caso a líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, dando a entender que ela é muito próxima do advogado que representa as supostas vítimas.

"Eu não vou deixar a minha reputação ser colocada em questão para salvar a dele", disse Le Pen em uma entrevista de rádio na última quinta-feira. Ela diz que deverá processar o ex-ministro por difamação.

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