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Protesto por Mladic reúne milhares e termina em violência na Sérvia

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O protesto contra a prisão e possível extradição para o Tribunal Penal Internacional de Haia (Holanda) do general sérvio-bósnio Ratko Mladic neste domingo na capital da Sérvia, Belgrado, reuniu pelo menos sete mil pessoas e terminou em confrontos entre a polícia e manifestantes.

A manifestação, em frente do Parlamento em Belgrado, foi organizada por grupos nacionalistas e de direita e também criticou o presidente sérvio, Boris Tadic, por seu suposto posicionamento pró-ocidental.

"Cooperação com o Tribunal de Haia significa traição. Este é um protesto contra a vergonhosa prisão de um herói sérvio", disse Lidija Vukicevic, do Partido Radical.

Ao final da manifestação, ocorreram choques com a polícia, que disse ter prendido cerca de 100 pessoas. Os confrontos deixaram por volta de 20 feridos.

O grupo de extrema-direita 1389 havia convocado seus simpatizantes a "mostrar a este regime de traidores que nós não temos medo de suas ameaças e de sua repressão, e que estamos prontos para defender os heróis sérvios."

AP

Muitos na Sérvia consideram o general um heroi nacional

Cerca de três mil pessoas participaram de outro protesto, transcorrido pacificamente, na cidade natal de Mladic, a vila de Kalinovic.

Importância

Mladic, que era um dos acusados de crimes de guerra mais procurados do mundo, foi capturado na última quinta-feira, após viver foragido por 16 anos.

A prisão de Mladic era considerada fundamental para as chances da Sérvia ingressar na União Europeia.

Também neste domingo, o filho de Mladic, Darko Mladic, disse que seu pai nega ter ordenado o massacre de Srebrenica, em 1995, no qual 7,5 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos.

O massacre, ocorrido durante a Guerra da Bósnia, foi a maior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

"Ele disse que, seja o que for que tenha ocorrido em Srebrenica, ele não tem nada a ver com aquilo", afirmou Darko Mladic, depois de visitar seu pai na detenção do tribunal para crimes de guerra da Sérvia, em Belgrado.

"Ele salvou tantas mulheres, crianças e combatentes (...). A sua ordem foi para primeiramente evacuar os feridos, mulheres e crianças e, depois, os combatentes. Quem quer que tenha feito algo às suas costas, ele não tem nada a ver com isso", disse.

Extradição

AP

Mladic em dois momentos: em 1995 (à esquerda) e após a sua prisão

A Justiça sérvia considerou Mladic apto para ser extraditado para Haia, sede do Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia. A defesa do general tem até esta segunda-feira para entrar com um recurso contra a decisão.

No entanto, o filho do general disse que, de acordo com diagnósticos feitos, ele não tem condições de saúde para ser mandado à Holanda.

"Eu apelo ao tribunal de Haia, porque eu não quero que isto seja visto como uma tática de adiamento", disse Darko. "Nós precisamos que especialistas o examinem, não estamos evitando nada", afirmou.

"Eu somente acho que isto está de acordo com a lei - se o homem não é capaz, a extradição não pode ocorrer."

Quanto ao tempo em que Mladic esteve foragido, o presidente da Sérvia, Boris Tadic, disse à BBC que a investigação sobre o caso se estenderá a qualquer pessoa que possa ter ajudado o ex-general a escapar da Justiça.

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