Oriente médio

Iêmen: Soldados matam 22 manifestantes a tiros na cidade de Taiz

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Forças de segurança do Iêmen mataram a tiros pelo menos 22 manifestantes contrários ao governo na cidade de Taiz, no sul do país, segundo fontes médicas e manifestantes.

Soldados leais ao governo entraram na cidade nesta segunda-feira para desmobilizar um protesto que já dura quatro meses, com manifestantes acampados na Praça da Liberdade.

O presidente Ali Abdullah Saleh se recusa a deixar o poder, apesar de meses de protestos e da forte oposição de uma das principais tribos do país.

Taiz é uma das principais cidades do Iêmen, onde manifestantes - inspirados por revoltas populares em Tunísia e Egito - decidiram ocupar a praça.

Também nesta segunda-feira, a Força Aérea do Iêmen bombardeou a cidade de Zinjibar, no sul, afirmando que o alvo eram integrantes da rede Al-Qaeda.

Protestos contra Saleh em Sanaa, na sexta-feira: governo sob pressão há meses

Choques em Taiz

Um médico de Taiz, Abdulkadir al-Gunaid, disse à BBC que forças de segurança estão removendo todos os vestígios dos protestos na Praça da Liberdade.

"Eles atacaram, atiraram nas pessoas, queimaram suas barracas. A praça tem um palco grande para peças, shows e discursos, com alto-falantes, este tipo de coisa. Eles mataram os manifestantes e às 3h (horário local), trouxeram retroescavadeiras para destruir o local. Não há mais nada lá", disse Gunaid.

Outra fonte médica disse que algumas das pessoas feridas tinham sido atropeladas por retroescavadeiras.

A coalizão de oposição Fórum Comum condenou "os crimes contra a humanidade" cometidos pelas "forças militares restantes, forças de segurança e milícias armadas" do presidente Saleh.

O grupo advertiu o líder iemenita de que ele seria "responsabilizado pessoalmente por crimes contínuos contra o povo".

Bombardeios em Zinjibar

Em Zinjibar, testemunhas disseram que jatos da Força Aérea bombardearam alvos de radicais islâmicos na periferia da cidade, nesta segunda-feira.

A emissora Al-Jazeera afirmou que moradores estavam fugindo da cidade rumo a Aden.

O governo afirma que a cidade foi capturada há dias por homens armados do grupo Al-Qaeda na Península Árabe, e que forças leais ao presidente Saleh estariam tentando retomar o controle do local.

Há, entretanto, relatos conflitantes sobre quem são os homens armados. O governo atribuiu ataques no sul do Iêmen à Al-Qaeda em ocasiões anteriores, mas a oposição do país diz que Saleh está tentando angariar apoio a seu governo, tentando unir a população contra a Al-Qaeda.

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