Acusações de comércio com Irã geram polêmica em Israel

Laranjas israelenses - foto: www.pikiwiki.org.il Direito de imagem pikiwiki
Image caption Laranjas estariam entre produtos israelenses vendidos ao Irã

Acusações de que empresas israelenses teriam mantido relações comerciais com o Irã, país visto como principal inimigo de Israel, vêm provocando polêmica no país nos últimos dias.

Na semana passada, os Estados Unidos acusaram um dos maiores grupos empresariais do país, o Grupo Ofer, de ter vendido um navio petroleiro a uma grande empresa iraniana.

Investigações da imprensa local revelam que navios pertencentes ao Grupo Ofer atracaram diversas vezes em portos iranianos.

O Grupo Ofer mantém negócios em larga escala com o governo israelense, tanto na área de navegação como na área petrolífera.

'Atitude hipócrita'

Para o analista do jornal Haaretz Yossi Melman, a atitude do governo israelense em relação aos negócios de empresas locais com o Irã é "hipócrita".

"Israel exorta o mundo inteiro a impor sanções ao Irã para prejudicar sua economia, com o objetivo de convencer sua liderança a parar o desenvolvimento de armas nucleares, mas de fato não faz nada, quando devia ser a ponta-de-lança nesta luta e servir de exemplo", afirma Melman.

O governo iraniano nega qualquer relação de comercio com Israel.

Segundo o presidente da Câmara de Comércio iraniana, Mohamad Nahavandian, "o Irã não tem negocios com empresas sionistas".

"De acordo com as leis do país, qualquer tipo de negocio ou transação econômica com o regime sionista e empresas afiliadas é ilegal", anunciou.

O Irã, país que não reconhece a existência de Israel, é acusado de buscar o desenvolvimento ilegal de armas nucleares e se tornou alvo de um embargo comercial imposto pela ONU no ano passado.

Os Estados Unidos também impuseram sanções unilaterais contra o país, que nega as acusações de buscar armas atômicas e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Permissão

O analista econômico do canal estatal da TV israelense, Oded Shahar, pediu uma investigação imediata sobre as relações do Grupo Ofer com o Irã, depois que o conglomerado afirmou ter recebido permissão das autoridades para que seus navios atracassem no Irã e o governo negou ter dado autorização.

"Quem está falando a verdade, o governo ou o Grupo Ofer?", questionou Shahar. "Esse assunto deve ser investigado imediatamente", disse.

Para a ONG israelense Ometz, que monitora a qualidade dos órgãos governamentais, o Grupo Ofer não é a única empresa do país que, direta ou indiretamente, mantém negócios com o Irã.

A ONG exige que o procurador-geral da Justiça, Yehuda Weinstein, inicie uma investigação sobre todas as empresas israelenses que têm relações de comércio com o país.

"Parece que o Grupo Ofer é só a ponta do iceberg", disse o porta-voz da ONG, Natan Lahav, ao jornal israelense Jerusalem Post.

Segundo informações da imprensa local, existe uma ampla rede de importação e exportação de produtos agrícolas entre os dois países. Laranjas de Israel são exportadas para o Irã e pistaches do Irã podem ser comprados em qualquer mercado em Israel.

"Se é verdade que existem dezenas de empresas israelenses que mantêm laços de comércio com o Irã, alguém sabia e encobriu o fato", afirmou Lahav, que exigiu uma investigação para impedir que outros países "percam a vontade de implementar o boicote (contra o Irã)".

Notícias relacionadas