Espanha cogita processar Hamburgo por acusação sobre pepinos

Colheita de pepinos em Almeria, Espanha (Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Produtores espanhóis se queixam de prejuízo na exportação de vegetais

O vice-primeiro-ministro da Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou nesta quarta-feira que o governo espanhol está analisando a possibilidade de processar as autoridades da cidade de Hamburgo, na Alemanha, depois que elas atribuíram a pepinos importados da Espanha o início do atual surto da bactéria E. coli na Europa.

Cerca de 470 pacientes, a maioria do norte da Alemanha, já apresentaram os sintomas mais graves e potencialmente fatais da contaminação com uma variedade da bactéria. Até o momento, o surto já matou pelo menos 16 pessoas, 15 pessoas na Alemanha e uma na Suécia.

Os pesquisadores alemães ainda estão tentando identificar a origem do surto depois da constatação de que ele não tem relação com os pepinos vindos da Espanha, como havia sido relatado inicialmente.

"Poderemos tomar medidas contra as autoridades, neste caso, de Hamburgo", afirmou Rubalcaba.

Prejuízos

As autoridades alemãs informaram que a bactéria encontrada os pepinos importados era de um tipo diferente da que foi encontrada em amostras de fezes das pessoas doentes.

Mas a conclusão dos pesquisadores alemães chegou tarde para os produtores espanhóis, que já tinham sido obrigados a destruir toneladas de vegetais frescos no sul do país.

O presidente da federação de exportadores de frutas e vegetais da Espanha, Jorge Brotons, disse que há um "efeito dominó". Segundo ele, quase toda a Europa teria parado de comprar os produtos espanhóis, e a crise está custando aos exportadores do país cerca de 200 milhões de euros por semana.

A ministra espanhola do Meio Ambiente, Rosa Aguilar, disse que as evidências até o momento mostram que "nossos pepinos não são responsáveis pela situação" e que as acusações iniciais foram feitas sem provas.

Falando durante uma reunião da União Europeia na Hungria, a ministra também disse que a questão deveria ser tratada como um "problema comum" e que deve haver uma compensação para os produtores espanhóis e de outros países europeus afetados pelo surto.

"Queremos que a Alemanha providencie, sem demora, a informação necessária de sua investigação, para que a União Europeia possa saber o que está causando o surto de E. coli", afirmou.

A Holanda, cujos fazendeiros também estão sofrendo prejuízos, também afirmou que pretende pedir indenização.

Atitude ‘correta’

A ministra alemã da Agricultura, Alimentação e Proteção do Consumidor, Ilse Aigner, disse que as autoridades de Hamburgo fizeram a coisa certa ao denunciar a existência de pepinos contaminados, mesmo com a repercussão negativa em outros países europeus, devido á presença de uma outra cepa da bactéria nos vegetais.

“As alegações da Espanha são baseadas no que Hamburgo disse. Mas eu preciso repetir que Hamburgo não encontrou o micróbio E. coli (da cepa responsável pelo surto) em pepinos espanhóis, ainda que dois pepinos testados não estivessem (contaminados) com essa variedade particular (da bactéria). Mas eles são pepinos contaminados e é por isso que um alerta rápido foi absolutamente dentro (do previsto) na lei europeia”, afirmou.

Até o momento, as autoridades alemãs orientam as pessoas a que evitem comer pepinos, tomate e alface crus.

A bactéria provoca infecção gastrointestinal com diarreia e vômitos. Em muitos casos, pode piorar e resultar em problemas renais e levar à morte.

Na Suécia, as autoridades dizem que há 39 casos suspeitos de contaminação por E.coli, todos ligados a pessoas que viajaram ao norte de Alemanha. Outros casos também foram relatados na Suíça, na Dinamarca, na Holanda e na Grã-Bretanha.

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