Mais de 20 morrem em escalada da violência na capital do Iêmen

Protesto antigoverno em Sanaa (AP) Direito de imagem AP
Image caption Onda de violência faz com que população tema guerra civil

Mais de 20 pessoas foram mortas em confrontos entre grupos contrários ao governo do Iêmen e forças de segurança na capital do país, Sanaa, nesta quarta-feira.

A violência no país tem se intensificado com o fim, na terça-feira, de uma trégua entre as forças do governo e opositores leais ao líder tribal Sadiq Al-Ahmar, chefe de um clã iemenita que passou a apoiar os manifestantes pacíficos que têm pedido reformas no país desde janeiro.

Atos de violência foram registrados em diversas partes da capital. Membros de equipes médicas disseram que há vítimas dos dois lados do conflito.

A correspondente da BBC na cidade Lina Sinjab disse que é crescente a preocupação entre a população de que os choques detonem uma guerra civil no país, e muitos estão abandonando Sanaa.

Segundo informação de agências de notícias, não confirmadas pela correspondente da BBC, pelo menos 39 teriam morrido nas últimas horas na capital.

Ocupação de edifícios

Calcula-se que ao menos 350 pessoas tenham morrido em confrontos no Iêmen desde janeiro, quando começaram os levantes antigoverno, inspirados pelas manifestações no Egito e na Tunísia.

O presidente do país, Ali Abdullah Saleh, no poder há 33 anos, vem se recusando a assinar um acordo que prevê sua renúncia em troca de imunidade.

Os confrontos mais recentes entre simpatizantes de Ahmar e forças de segurança leais a Saleh começaram no norte do país na última terça-feira.

Os dois lados se acusam mutuamente de quebrar um cessar-fogo anunciado na sexta-feira, após uma semana de violência durante a qual os clãs ocuparam diversos edifícios estatais.

Enviado americano

Grupos de oposição acusam o governo de armar civis para criar confusão durante manifestações, mas os opositores também se queixam da violência praticada pelos grupos tribais, que estaria desviando o foco das demandas pacíficas da população por reformas políticas.

“O Iêmen é um país com um complexo sistema de tribos, e armas estão fartamente disponíveis”, explica Sinjab.

Também nesta quarta-feira, os EUA anunciaram o envio, ainda nesta semana, de um representante à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos para discutir uma saída para o impasse político no Iêmen.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou nesta quarta que “se não era óbvio antes, certamente é óbvio agora que a presença (do presidente Saleh) permanece sendo fonte de conflitos e, infelizmente, como vimos nos últimos dias, de ações militares e de violência”.

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