Crescente deficit com EUA preocupa, diz Patriota em Washington

Hillary Clinton e Antonio Patriota Direito de imagem AP
Image caption Patriota (esquerda) se reuniu com Hillary Clinton em Washington

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta quarta-feira em Washington que o "crescente" deficit do Brasil na balança comercial com os Estados Unidos, de US$ 7,7 bilhões em 2010, é motivo de preocupação em Brasília.

O chanceler veio à capital americana para discutir maneiras de tornar o comércio bilateral mais equilibrado e a implementação das decisões tomadas durante a visita de março do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil.

“Há um crescente deficit comercial na nossa relação, que é motivo de alguma preocupação”, afirmou Patriota, que foi recebido em Washington pela secretária de Estado americana.

O problema do deficit comercial brasileiro não é novo e foi um dos principais assuntos tratados na visita de Obama.

Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff manifestou preocupação com os “desequilíbrios econômicos” e disse que o Brasil gostaria de ter relações “mais justas e equilibradas com os Estados Unidos”.

“Vamos buscar diferentes caminhos para tentar desenvolver um comércio que seja mutuamente benéfico”, afirmou o ministro.

“Nossa relação é muito robusta. Nós discutimos oportunidades para aumentar as exportações do Brasil para os EUA.”

Segundo o ministro, a questão do câmbio, com a valorização do real frente ao dólar sendo um dos fatores que prejudicam a competitividade das exportações brasileiras, será abordada “multilateralmente”.

Diversificação

Apesar do deficit – que foi o pior registrado na balança brasileira no ano passado –, Patriota elogiou a diversidade das exportações brasileiras para os Estados Unidos, em contraste com o que ocorre com a China, maior parceiro comercial do Brasil.

“Com a China há uma concentração em poucos produtos, a saber, minério de ferro, soja e petróleo. E estamos tentando diversificar nossas exportações para a China”, disse.

“Com os Estados Unidos não temos o mesmo problema. Há uma plataforma mais diversificada. E nós gostaríamos de continuar a exportar aviões, carne e outros produtos.”

Patriota também voltou a pedir mais investimentos americanos, especialmente no momento em que o Brasil se prepara para grandes eventos, como a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016.

A parceria comercial com o Brasil ganha importância nos Estados Unidos em meio à meta definida por Obama de dobrar as exportações americanas até 2014.

Segundo Hillary, a área de comércio e investimentos no Brasil é “uma grande prioridade do governo Obama”.

“Temos uma relação diversificada e queremos que fique mais (diversificada) ainda”, afirmou a secretária.

O ministro convidou a secretária de Estado a visitar o Brasil para dar continuidade às discussões – que ocorrem no âmbito do chamado Diálogo de Parceria Global Brasil-Estados Unidos.

“Eu convidei a secretária Clinton para ir ao Brasil para continuar essa discussão e para que nós possamos, no futuro, ter um encontro produtivo entre os nossos dois líderes, o mais cedo possível e no momento mais apropriado”, disse.

Patriota não confirmou, no entanto, uma data para a visita de Dilma a Washington.

Notícias relacionadas