Analistas preveem desaceleração da economia até o fim do ano

O ministro da Fazenda, Guido Mantega (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Ações adotadas pelo governo devem ter efeito nos próximos meses

Após a forte aceleração do PIB no primeiro trimestre - quando foi registrado um incremento de 1,3% em relação ao período anterior - analistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam que haverá uma redução no ritmo do crescimento econômico nos próximos meses, com o impacto das medidas para conter a inflação adotadas pelo governo.

Com o intuito de restringir a oferta de crédito e, com isso, reduzir a atividade econômica e aliviar a inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu em suas três últimas reuniões elevar a Selic, índice que embasa as taxas de juros cobradas pelo mercado.

O governo também tem recorrido às chamadas ações macroprudenciais, que visam regular concessão de crédito por meio de alterações na política tributária e na regulação dos bancos, e tem contido gastos públicos, de modo a diminuir a quantidade de dinheiro em circulação.

Segundo Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências, a elevação dos juros deve surtir efeitos mais contundentes no segundo semestre. Ela prevê mais quatro aumentos na taxa, de 0,25% cada, até o fim do ano.

Além do impacto da Selic na restrição ao crédito, ela avalia que outro fator que amenizará a inflação será a redução nos preços de combustíveis e alimentos, que tiveram forte alta no início do ano devido a questões sazonais, como menor oferta de cana-de-açúcar (matéria-prima do etanol) na época de entressafra.

Mesmo assim, Ribeiro considera que a chamada “inflação de serviços” deve continuar pressionando o índice para o alto, fazendo com que ele feche o ano em 6,6% - ou 0,1 ponto percentual acima do limite da meta do governo.

Contenção de gastos

Embora considere que as medidas do governo ajudarão a baixar a inflação, o professor de finanças do Ibmec-RJ Gilberto Braga contesta a estratégia.

“O governo conseguiu conter parte dos seus gastos, mas adiou uma série de despesas obrigatórias. Grandes obras de infraestrutura necessárias ao país estão atrasadas.”

O conjunto das ações, diz o professor, fará com que a economia desacelere até o fim do ano.

“Nos padrões atuais, estamos condenados a crescer sempre na faixa de 4% a 6% ao ano, enquanto outros países emergentes crescem a partir de 10%”, afirma.

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