Choques entre governo e membros de clã rebelde se agravam no Iêmen

Protesto antigoverno em Sanaa (AP) Direito de imagem AP
Image caption Onda de violência faz com que população tema guerra civil

Os combates entre forças leais ao governo do Iêmen e partidários de um líder tribal se intensificaram nas últimas horas ao norte da capital do país, Sanaa.

Segundo a correspondente da BBC em Sanaa Lina Sinjab, fortes explosões e tiros foram ouvidos durante a madrugada e na manhã desta quinta-feira.

Milhares de combatentes leais a Sadeq Al-Ahmar, líder do poderoso clã Hashid, estão tentando entrar na capital, forçando a passagem em confrontos com forças leais ao presidente, Ali Abdullah Saleh.

Relatos indicam que vários rebeldes já conseguiram entrar em Sanaa, alguns com peças de artilharia.

Mais cedo, foi divulgada a notícia de que o aeroporto de Sanaa havia sido fechado devido aos combates próximos ao local. No entanto, o diretor do aeroporto e o Ministério do Exterior britânico disseram depois que ele está operando normalmente.

Fuga de Sanaa

Sinjab diz que a situação na capital se tornou muito perigosa, tendo se deteriorado nas últimas horas, com muitas pessoas tentando deixar a cidade com medo da escalada da violência e da possível deflagração de uma guerra civil.

Nessa quarta-feira, pelo menos 39 pessoas foram mortas em Sanaa, após a ruptura de uma trégua entre o governo e os rebeldes na terça-feira.

Também há relatos de confrontos na cidade de Taiz, onde ao menos 50 pessoas teriam sido mortas desde o domingo, segundo a ONU.

O editor de assuntos de Oriente Médio do Serviço Mundial da BBC, Sebastian Usher, afirma que a ofensiva das tribos rebeldes representa uma nova fase nas tentativas de retirar Saleh do poder.

Desde o início do ano, o presidente do Iêmen – que está no poder desde 1978 - resiste a grandes protestos populares que pedem a sua renúncia.

Na semana passada, Saleh se recusou a assinar um acordo, mediado por países do Golfo Pérsico, que previa sua saída do poder no prazo de um mês.

Na terça-feira, o governo americano pediu a Saleh que ajude a “levar o Iêmen adiante” e assine o acordo mediado pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que prevê que ele deixe o poder ao seu vice em troca de uma anistia contra eventuais processos.

Medição de forças

Usher afirma que os conflitos dos últimos dez dias se tornaram uma medição de forças entre Saleh e a família Al-Ahmar, que lidera os Hashid. A tribo se uniu ao movimento de oposição que, desde janeiro, vem pedindo que mudanças no governo.

Segundo o editor da BBC, os episódios recentes de violência ofuscaram os manifestantes, que continuam acampados na Praça Pérola, no centro de Sanaa.

Muitos acreditam que o presidente veja a violência e o caos como a sua grande chance para permanecer no poder. Nas últimas décadas, de acordo com Usher, Saleh tem sobrevivido e até se beneficiado de diversos conflitos armados no Iêmen.

No entanto, segundo o editor da BBC, nenhum movimento armado foi parecido com o das últimas horas, em que combatentes rebeldes se aproximam cada vez mais do centro do poder iemenita.

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