Premiê do Japão sobrevive a voto de desconfiança no Parlamento

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Image caption Kan foi criticado pela maneira como lidou com a crise nuclear no Japão

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, sobreviveu nesta quinta-feira a um voto de desconfiança proposto por parlamentares críticos da maneira com que ele lidou com tsunami e com o consequente vazamento nuclear da usina de Fukushima.

Antes da moção ser debatida, Kan disse a seu partido que ele renunciaria quando a crise ficasse sob controle.

O premiê estava tentando conter uma rebelião de líderes de seu partido, o Partido Democrático do Japão (PDJ) o que poderia tê-lo forçado a sair do poder.

O desastre causado pelo terremoto de magnitude 9 e pelo tsunami que se seguiu, em 11 de março, deixou milhares de mortos e danificou a usina nuclear de Fukushima, no leste do país, causando um vazamento de material radioativo que ainda persiste.

O correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk diz que, ao sobreviver à moção de desconfiança, o primeiro-ministro se garantiu no poder por mais alguns meses, mas se tornou uma figura enfraquecida devido à rebelião em seu partido.

Antes disso, Kan já havia sobrevivido a diversas tentativas de seus oponentes para derrubá-lo. Ele se tornou o quinto premiê japonês em cinco anos ao assumir o cargo, em junho de 2010.

Desta vez, os líderes do PDJ indicaram que apoiariam a moção de desconfiança, aumentando as chances da saída de Kan do poder.

Em uma tentativa de última hora para angariar apoio, o premiê pediu aos políticos de seu partido que rejeitassem o voto de desconfiança.

"Eu gostaria que a geração mais nova assumisse várias responsabilidades enquanto eu tento lidar com o desastre", disse Kan.

O ex-primeiro-ministro Yukio Hatoyama, que previamente disse que daria apoio à moção, disse por fim que apoiaria o premiê.

‘Sem virtudes’

O voto de desconfiança foi proposto pelo principal partido de oposição, o Partido Liberal Democrático (PLD), por seu aliado, o Partido Novo Komeito, e o Partido da Alvorada. A moção também deverá ser defendida pelo Partido Comunista.

O PLD acusou Kan de lidar de forma errada com os esforços de reconstrução e auxílio às vítimas depois do tsunami, assim como com a crise nuclear em Fukushima.

"Você não tem virtudes pessoais ou habilidade para unir os membros do seu próprio partido", disse nessa quarta-feira o líder do PLD no Parlamento, Sadakazu Tanigaki, se dirigindo a Kan.

"Assim que você sair, haverá diversas maneiras para nos unirmos, para revitalizar o Japão além das divisas dos partidos", disse o opositor.

Em maio, o primeiro-ministro anunciou que o país irá revisar os seus planos de aumentar a dependência da energia nuclear.

No entanto, o resultado de uma pesquisa publicada nessa quarta-feira indica que a opinião pública tem uma visão negativa da maneira como Kan lidou com a crise de Fukushima.

Em uma entrevista com 700 adultos, 79% classificaram a sua administração da crise como fraca, de acordo com o Pew Research Center.

Também na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o Japão subestimou o risco trazidos por tsunamis às suas usinas nucleares.

No entanto, a AIEA considerou a resposta à crise nuclear como "exemplar".

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