Ataque a complexo presidencial fere líder do Iêmen

Complexo presidencial de Ali Abdullah Saleh, em Sanaa. Direito de imagem AFP
Image caption Bombas atingiram mesquita no complexo onde mora o presidente

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, ficou levemente ferido em um ataque ao complexo presidencial na capital do país, Sanaa, na manhã desta sexta-feira, informaram à BBC fontes ligadas ao governo iemenita.

Segundo as fontes, Saleh está sendo tratado em um hospital. Mais cedo, representantes do governo disseram na TV do país que o presidente estava bem e que deveria fazer um pronunciamento à nação ainda nesta sexta-feira.

Pelo menos duas bombas atingiram o local onde reside Saleh, em meio aos conflitos entre as forças do governo e membros de um dos grupos tribais mais poderosos do país.

Um porta-voz oficial disse à BBC que as bombas atingiram uma mesquita no complexo, deixando pelo menos quatro guardas mortos e diversas pessoas feridas, incluindo altas autoridades.

De acordo com relatos, além do presidente, o primeiro-ministro iemenita, Ali Mohammed Mujawar, e o presidente do Parlamento, Yahya al-Rai, teriam sido atingidos. A rede de TV Al-Arabiya informou que Rai se encontra em estado crítico.

Horas antes, soldados bombardearam a residência de Hamid Al-Ahmar, irmão do xeque Sadeq Al-Ahmar, líder do poderoso clã Hashid, cujos integrantes e partidários enfrentam o governo.

Um porta-voz representando o xeque disse à rede de TV Al-Jazeera que o ataque ao palácio presidencial foi uma resposta ao bombardeio da casa de Hamid Al-Ahmar.

Também nesta sexta-feira, centenas compareceram ao funeral de 50 pessoas mortas nos conflitos entre o governo e os representantes tribais. Os dois lados haviam negociado um cessar-fogo na última sexta-feira.

Ação concreta

A correspondente da BBC em Sanaa Lina Sinjab afirma que o ataque ao complexo presidencial é significativo por ser uma ação concreta com o objetivo de atingir o presidente, ou pelo menos para enfraquecer a sua posição.

Segundo Sinjab, as tropas do governo tentaram completar a sua ofensiva contra as forças de oposição ao mover os combates do norte da capital, na região de Hasba, para o sul, em Hadda, uma área de classe alta ocupada por diplomatas e altas autoridades.

A correspondente da BBC diz que a casa de Hamid Al-Ahmar, que foi atacada, fica em Hadda. Sinjab afirma que o ataque contra o complexo presidencial pode expandir o conflito para outras áreas de Sanaa.

Os Estados Unidos mandaram um enviado para o Golfo, para discutir maneiras de parar a violência, que ameaça levar o país a uma guerra civil.

Mais de 350 pessoas foram mortas desde o início dos conflitos em janeiro. Nos últimos dias, 135 morreram.

Governos regionais e ocidentais pressionam para que o presidente Saleh assine um acordo de cooperação com os países do Golfo, que prevê sua renúncia em troca de garantias de que não será processado.

Saleh concordou em assinar o acordo em diversas ocasiões, mas desistiu.

Notícias relacionadas