Mladic diz a tribunal: 'Defendi meu povo e meu país'

Ratko Mladic durante a audiência (Foto: AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Mladic disse que é 'um homem gravemente doente'

O ex-comandante do Exército sérvio-bósnio Ratko Mladic afirmou nesta sexta-feira que havia defendido seu povo e seu país, em sua primeira audiência no tribunal internacional para crimes cometidos na antiga Iugoslávia em Haia, na Holanda.

Preso semana passada na Sérvia, Mladic é acusado de genocídio, exterminação, deportação, atos desumanos, entre outros crimes de guerra. Ele é acusado de comandar o massacre de cerca de 7.500 meninos e homens muçulmanos em Srebrenica, em 1995 - maior atrocidade cometida na Europa desde a Segunda Guerra.

Em seu pronunciamento diante da corte, Mladic disse estar "gravemente doente" e que as acusações contra ele eram "ofensivas", mas optou por não se declarar culpado ou inocente. Como a Justiça lhe concede um mês para tomar esta decisão, uma nova audiência foi marcada para o dia 4 julho.

Já no fim da audiência, Mladic disse:

"Eu defendi meu povo, meu país, agora me defendo. Quero dizer apenas que quero viver para ver que sou um homem livre", afirmou ele.

O ex-comandante disse ainda que não teve tempo de ler o documento de 37 páginas contendo as acusações que lhe foram entregues. Afirmou que precisava de "pelo menos dois meses" para passar em vista a documentação.

Quando o juiz lhe perguntou se ele queria que as acusações contidas no documento lhe fossem lidas, respondeu: "Não quero que uma única linha daquele documento seja lida para mim".

Adiamento

O julgamento teve início apesar das tentativas do advogado de Mladic na Sérvia, onde ele foi preso após 16 anos de buscas, de adiar a extradição do ex-comandante para Haia.

Tanto o advogado, Milos Saljic, quanto a família do general vinham alegando que ele estava "muito doente" para ser julgado em Haia. Ainda assim a extradição foi determinada Justiça sérvia.

Um dia antes, cerca de 7 mil pessoas haviam ido às ruas de Belgrado para se manifestar contra a medida e contra a possível extradição.

A prisão de Mladic foi considerada pelo governo em Belgrado como um primeiro passo para a reconciliação dos Balcãs, sem a qual as chances da Sérvia de ingressar na União Europeia ficam consideravelmente reduzidas.

Do lado de fora do tribunal de Haia, parentes de vítimas do conflito nos Bálcãs esperaram a chegada de Mladic para pedir Justiça.

O advogado sérvio Aleksandar Aleksic foi apontado para defender o ex-comandante em Haia, mas Mladic disse que deseja ser defendido por uma equipe de advogados, e não apensa por um homem.

Notícias relacionadas