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Empresa nunca atuou junto a órgãos públicos, diz Palocci

Palocci e Dilma em foto de arquivo (Ag. Brasil)

Ministro não quer revelar clientes de sua consultoria para 'não expô-los'

O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, disse nesta sexta-feira em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que sua empresa, Projeto, não prestou consultoria para empresas privadas que tinham negócios com o setor público.

“Quando uma empresa privada tinha negócio com o setor público, eu nunca dei consultoria num caso como esse. (…) Se a empresa tinha uma necessidade junto a um órgão público, ela tinha lá seu departamento ou a sua prestação de serviços para isso. Eu não fazia isso porque isso a lei não me permitia e eu tinha perfeita clareza do que a lei permitia ou não”, disse Palocci.

Foi a primeira declaração de Palocci à imprensa desde que a Folha de S.Paulo publicou, em 15 de maio, que o ministro multiplicou seu patrimônio por 20 nos últimos quatro anos, período em que exerceu mandato de deputado federal. Os ganhos teriam ocorrido por meio de atividades de consultoria prestadas pela empresa de Palocci, a Projeto.

Na entrevista, Palocci afirmou ainda que o faturamento de sua empresa foi informado aos órgãos de controle tributário da Prefeitura de São Paulo, cidade onde está registrada, e da Receita Federal.

“Todo o serviço prestado pela empresa foi feito a partir de emissão de notas fiscais regulares e todos os impostos foram recolhidos. Tratava-se de uma empresa privada, que prestava atividades privadas, que foi registrada em meu nome e de meu sócio na Junta Comercial de São Paulo. Portanto eu não tive uma atividade reservada, tive uma atividade pública.”

Faturamento e clientes

Ainda assim, Palocci não quis revelar o faturamento nem os clientes de sua empresa, dizendo não querer expô-los. “Não divulgo os nomes de empresas que são idôneas, renomadas em seus setores, porque, como há conflito político, eu me disponho a dialogar. Mas não posso expor contratos que tive com empresas privadas renomadas num ambiente de conflito político. Acho que não tenho o direito de fazê-lo.”

O ministro diz ter atuado como consultor nos setores de indústrias, bancos, serviços financeiros e mercado de capitais – áreas que, segundo ele, “pouco têm a ver, por exemplo, com obras públicas, com investimentos públicos”.

“São empresas que vivem da iniciativa privada e que consideraram útil o fato de eu ter sido ministro da Fazenda, de ter acumulado uma experiência na área econômica, de conhecer a área econômica. Depois que eu deixei o ministério, fiquei quatro meses respeitando a quarentena e só depois disso passei a prestar serviço de consultoria.”

Palocci disse ainda que encerrou as atividades de sua empresa em dezembro, um mês antes de assumir a Casa Civil, e que o alto rendimento de sua empresa naquele mês, noticiado pela Folha, se deveu ao pagamento por contratos em curso.

“Aqueles serviços prestados até aquele momento foram pagos naquele momento. Por isso que há uma arrecadação maior nesse final de ano, mas são contratos de serviços prestados. Hoje, por exemplo, a empresa não tem mais nenhum contrato, nenhuma arrecadação, nenhum valor.”

Também nesta sexta-feira, em entrevista à Folha, Palocci disse que não revelou à presidente Dilma Rousseff os clientes de sua empresa nem a natureza dos serviços que ela prestou.

"Não entrei em detalhes sobre os nomes dos clientes ou sobre os serviços prestados para cada um deles", disse.

Ele afirmou ainda que nunca escondeu suas atividades de consultor. "A empresa sempre esteve registrada em meu nome e de meu sócio na Junta Comercial, com sede e demais dados disponíveis para consulta de qualquer pessoa. Jornais e revistas chegaram a noticiar algumas das atividades que realizei como consultor", disse o ministro.

Desde a publicação da reportagem da Folha em maio, Palocci vem sendo pressionado a justificar o aumento de seu patrimônio. A oposição tem tentado aprovar convocações para que o ministro dê explicações ao Congresso sobre seu enriquecimento, mas a maioria governista tem conseguido barrar as tentativas.

Nos últimos dias, porém, alguns políticos aliados do governo, como o senador Pedro Simon (PMDB-RS) e o presidente do PT no Rio Grande do Sul, Raul Pont, sugeriram que Palocci deixasse o cargo até que seu enriquecimento fosse esclarecido.

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