Número de infecções por bactéria dá sinais de queda na Europa

Paciente infectado na Alemanha (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Origem da doença ainda não foi esclarecida por especialistas

A taxa de infecções pela altamente tóxica variedade da bactéria E. coli pode estar dando seus primeiros sinais de queda na Europa, informaram autoridades sanitárias nesta sexta-feira.

O Instituto Robert Koch, centro de controle de doenças alemão, disse que, apesar dos 200 novos casos relatados na Alemanha nos dois primeiros dias de junho, o número de contaminações parece estar em declínio.

No entanto, essa aparente tendência pode mudar caso se descubram novos casos ainda não reportados.

Em Hamburgo, médicos dizem também ver sinais de que as contaminações podem estar decrescendo.

Mas o surto, que atingiu principalmente a Alemanha e matou quase 20 pessoas, ainda alarma e intriga as autoridades.

Um laboratório europeu que investigou as origens da doença relatou que ainda não é possível dizer com certeza se o surto de fato começou com legumes e verduras contaminados – o que se tem especulado até o momento.

O relato desperta temores de que outros alimentos possam estar contaminados sem que as autoridades tenham conhecimento.

Até a noite desta sexta, a bactéria havia sido identificada em 12 países. A Alemanha, onde está a maioria dos doentes, já tem mais de 1,7 casos de infecção por E. coli.

Clínicas alemãs iniciaram um apelo por doações de sangue para os pacientes em estado mais crítico, e autoridades advertem contra a ingestão de frutas e legumes crus. O indicado, segundo a agência sanitária britânica, é comer os alimentos cozidos e sem casca e lavar as mãos regularmente, para evitar a transmissão da doença de pessoa a pessoa.

A bactéria

A E. coli, que costuma habitar as entranhas de gado e ovelhas, em geral é inofensiva à saúde. Mas a variedade que está atacando a Europa, a EHEC, causa diarreia, cólicas estomacais severas e febre. Ela se prende às paredes do intestino, onde libera toxinas.

A maioria das vítimas se recupera após alguns dias de tratamento, mas um pequeno número de pacientes desenvolve uma síndrome potencialmente fatal, que ataca os sistemas renal e nervoso.

A Rússia, maior comprador das frutas e dos legumes exportados pela União Europeia, vetou a importação dos alimentos, em meio a queixas do bloco europeu, que considerou a medida "injustificada".

Nesta sexta, o premiê Vladimir Putin admitiu que o veto russo vai contra o espírito da Organização Mundial do Comércio, “mas não podemos envenenar nosso povo por conta da defesa desse espírito”.

A Espanha é o país mais afetado economicamente pelo episódio, já que, inicialmente, as autoridades alemãs atribuíram a culpa do surto infeccioso a pepinos espanhóis (depois, voltaram atrás).

O presidente de governo José Luis Rodríguez Zapatero disse que seu país vai exigir reparações pelas perdas sofridas.

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