Ministro do Exterior britânico se encontra com rebeldes da Líbia

Ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, se encontra com familiares de rebeldes mortos em Benghazi, Líbia (AFP/Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Hague afirmou durante visita a Benghazi que líder Muamar Khadafi deve deixar o poder

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, foi até Benghazi (leste da Líbia) para discutir o futuro político do país com o Conselho Nacional de Transição, formado pelas lideranças rebeldes.

Benghazi é considerada bastião dos rebeldes e local onde começaram os protestos anti-Khadafi, em fevereiro.

Hague e o ministro do Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchel, se reuniram com o chefe do conselho, Mustafa Adbul Jalil.

A reunião em Benghazi se concentrou nos recentes avanços contra as forças do líder líbio, Muamar Khadafi, e na ajuda humanitária britânica para os líbios.

Mais cedo, Hague afirmou que estava na cidade líbia "apenas por uma razão: mostrar nosso apoio ao povo líbio e ao Conselho Nacional de Transição, o representante legítimo do povo líbio".

O ministro das Relações Exteriores britânico disse ainda que a visita era "parte de uma abordagem coordenada e estratégica para a Líbia, garantindo que nossas ações militares, diplomáticas e de desenvolvendo estejam alinhadas".

Hague também voltou a falar que Khadafi deve deixar o poder.

"Claro que todos nós queremos uma solução política e não militar para qualquer conflito, incluindo este. Mas isto apenas será possível se Khadafi deixar o poder", disse.

"Você só precisa falar com as pessoas aqui, ver os grafites em todas as paredes, ouvir qualquer um na rua, para perceber que não há uma solução política que envolva Khadafi ainda sendo o líder da Líbia", acrescentou.

Bombardeios

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) confirmou também neste sábado que os helicópteros de guerra britânicos Apache foram usados pela primeira vez em ataques a instalações militares na Líbia.

O capitão do HMS Ocean, o maior navio de guerra britânico, que participa da missão, disse à BBC que os helicópteros destruíram duas bases militares, um radar e um ponto de controle armado perto da cidade de Brega, no norte do país.

Direito de imagem Getty
Image caption Os helicópteros Apache conseguem fazer disparos com maior precisão

Os helicópteros franceses Gazelle também foram usados em ataques simultâneos em diferentes alvos na Líbia, pela primeira vez desde o início da operação contra as forças leais ao líder líbio Muamar Khadafi.

Na última quarta-feira, a Otan anunciou que ampliará a missão no país por mais 90 dias.

Alvos selecionados

O General-de-Divisão Nick Pope, chefe da divisão de comunicações estratégicas da defesa britânica, disse que "Os Apaches foram encarregados de fazer disparos de precisão contra uma instalação de radar".

"Mísseis e canhões de 30 milímetros foram usados para destruir os alvos. Depois, os helicópteros retornaram a salvo para o HMS Ocean", disse Pope.

Ele disse ainda que os alvos haviam sido "selecionados cuidadosa e rigorosamente" e que a inteligência sobre as posições das forças do líder líbio Muamar Khadafi está melhorando, "apesar dos esforços deles para se esconderem".

O secretário de Defesa britânico Liam Fox disse que os helicópteros são "mais um tipo de aeronave potente que foi adicionado às forças da Otan envolvidas nesta operação".

"Aqueles que estão apoiando o coronel Khadafi deveriam entender que a melhor maneira de permanecerem fora de perigo é perceberem que seu futuro está com o povo líbio e não com um regime sem crédito", afirmou.

O ex-chefe do Exército, Lord Dannatt, disse que o envio dos helicópteros é uma "intensificação inevitável" da operação militar da Otan na Líbia.

"A missão da UNHCR 1973 é clara, é proteger o povo líbio, mas também tem a tarefa implícita - sejamos honestos sobre ela - de remover o coronel Khadafi", disse.

A Otan atua na Líbia com autorização de uma resolução da ONU e sob a justificativa de proteger os civis dos ataques promovidos pelas forças de Khadafi. O prazo inicial dado pelas Nações Unidas para a realização de ataques no país expirava em 27 de junho.

Notícias relacionadas