Forças de segurança da Síria voltam a disparar contra protestos

Protesto contra o governo sírio na cidade de Idlib (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Manifestantes voltaram às ruas da Síria nesta sexta-feira

Ativistas de oposição ao governo da Síria informaram neste sábado que as forças de segurança do país mataram pelo menos três pessoas na cidade de Jisr al-Shugour, no norte da Síria.

A cidade tem sido palco de protestos desde o início da rebelião contra o presidente Bashar al-Assad, em março.

Neste sábado dezenas de milhares de pessoas participaram dos funerais de manifestantes mortos na sexta-feira pelas forças de segurança em Hama, região central da Síria.

Segundo os ativistas sírios pelo menos 60 pessoas morreram no incidente mais violento desde o início dos protestos.

Um morador de Hama disse à BBC que os moradores da cidade estão fazendo uma greve, com muitas lojas fechadas, para protestar contra as mortes.

Cerca de 50 mil participaram do protesto organizado na sexta-feira contra o governo e centenas de pessoas ficaram feridas depois dos disparos das forças de segurança contra os manifestantes.

As informações sobre o levante sírio não podem ser confirmadas de forma independente, já que jornalistas estrangeiros não têm entrada permitida na Síria.

Crianças

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que mais de 1,1 mil pessoas já foram mortas desde o início dos protestos pró-democracia na Síria, no meio de março.

Os protestos pedem reformas democráticas e a saída do presidente Bashar Al-Assad, que está no poder há quase 11 anos.

Também há informações de que os serviços de internet foram interrompidos em várias partes da Síria, aparentemente para evitar que os ativistas divulguem imagens dos protestos e da repressão.

A oposição do país afirma que dedicou os protestos da sexta-feira às 30 crianças que teriam morrido durante a rebelião.

Segundo o correspondente da BBC em Beirute, no Líbano, Jim Muir, os organizadores dos protestos na Síria tentaram a cada semana dar um tema especial à rebelião e, o último dia de protestos foi chamado de "Sexta-feira dos Filhos da Liberdade".

Este dia de protestos ocorre no final da semana em que o Unicef, o fundo da ONU para crianças, destacou a morte de pelo menos 30 crianças nos protestos violentos dos últimos meses.

Nesta semana um menino de 13 anos, Hamza Al-Khatib, do sul da Síria, se transformou em um símbolo não oficial da revolução síria. Ativistas afirmam que ele foi torturado até a morte pelas forças de segurança, algo que as autoridades negam.

Leia mais na BBC Brasil: Síria investigará morte de menino ‘torturado’ símbolo de protestos

Notícias relacionadas