Brotos produzidos na Alemanha podem ser fonte de surto de infecções intestinais

Brotos de feijão (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Autoridades alemãs agora apontam para um viveiro de brotos no país como possível fonte de surto

Autoridades da Alemanha afirmaram neste domingo que a origem da variedade altamente tóxica da bactéria E. coli, que matou 22 pessoas e infectou centenas, pode estar ligada a brotos de vários vegetais produzidos no país.

O ministro da Agricultura para a região da baixa Saxônia, Gert Lindemann, afirmou que epidemiologistas conseguiram rastrear a origem da bactéria até um viveiro na cidade de Uelzen, a cerca de cem quilômetros de Hamburgo, no norte da Alemanha.

"O viveiro cultiva uma grande variedade de brotos a partir de sementes importadas de vários países", disse.

Os brotos, incluindo brotos de feijão adzuki, alfafa, brócolis, lentilhas, entre outros, são usados em saladas.

O ministro informou que o viveiro foi fechado e todos os seus produtos recolhidos apesar do fato de os exames oficiais ainda não terem confirmado a presença da bactéria na fazenda.

Segundo a agência de notícias alemã DPA, o Ministério da Saúde em Berlim ainda está aguardando os resultados dos exames dos brotos.

O chefe do Instituto Robert Koch, o centro de controle de doenças alemão, também teria dito que a causa da infecção por E. coli ainda não poderia ser definitivamente confirmada.

Segundo o correspondente da BBC em Berlim Steve Evans, o anúncio deste domingo pode trazer constrangimento para as autoridades alemãs, que tinham apontado as fazendas na Espanha como a fonte do surto.

Mortos

A bactéria E. coli já matou 22 pessoas, 21 na Alemanha e uma na Suécia, e infectou cerca de outras 2 mil, na Alemanha e outros 12 países.

A maioria dos afetados pelo surto está na Alemanha, com casos concentrados na cidade de Hamburgo.

Cientistas afirmaram que a nova variedade da E. coli é um híbrido agressivo, tóxico para humanos e que não estava ligado anteriormente à intoxicações alimentares.

O ministro federal da Saúde, Daniel Bahr, informou que os hospitais do norte da Alemanha estão superlotados devido ao surto, mas os funcionários estão fazendo "todo o que for necessário" para ajudar os pacientes.

A bactéria

A E. coli, que costuma habitar as entranhas de gado e ovelhas, em geral é inofensiva à saúde. Mas a variedade que está atacando a Europa, a EHEC, causa diarreia, cólicas estomacais severas e febre. Ela se prende às paredes do intestino, onde libera toxinas.

A maioria das vítimas se recupera após alguns dias de tratamento, mas um pequeno número de pacientes desenvolve uma síndrome potencialmente fatal, que ataca os sistemas renal e nervoso.

A Espanha é o país mais afetado economicamente pelo episódio, já que, inicialmente, as autoridades alemãs atribuíram a culpa do surto infeccioso a pepinos espanhóis (depois, voltaram atrás).

O presidente de governo José Luis Rodríguez Zapatero disse que seu país vai exigir reparações pelas perdas sofridas.

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