Presidente do Iêmen viaja para tratamento médico na Arábia Saudita

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh (arquivo/Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Saleh estaria com queimaduras e um estilhaço perto do coração

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, deixou o país neste sábado e foi para a Arábia Saudita se submeter a um tratamento médico devido aos ferimentos que sofreu depois de um ataque ao complexo presidencial na sexta-feira.

Segundo autoridades sauditas, Saleh chegou à Riad em um avião médico da Arábia Saudita.

Uma fonte teria dito à agência de notícias Reuters que Saleh saiu do avião andando, mas não tinha ferimentos visíveis no rosto, pescoço e cabeça.

Uma fonte diplomática do país disse à BBC que a decisão de levar Saleh do Iêmen foi tomada depois que médicos sauditas consultaram uma equipe médica da Alemanha.

Um segundo avião teria levado a família do presidente iemenita, segundo a agência de notícias AFP.

Oficiais do governo do Iêmen disseram mais cedo que os ferimentos de Saleh eram mais graves do que se pensava inicialmente.

O presidente iemenita tem queimaduras de segundo grau no peito e no rosto e um estilhaço perto do coração que também está afetando seu pulmão.

Saleh está sendo pressionado a renunciar à Presidência após 33 anos no poder e o fato de não ter aparecido publicamente depois do ataque de sexta-feira contra uma mesquita do complexo presidencial aumentou as especulações sobre seu estado de saúde.

De acordo com uma correspondente da BBC no país, a viagem de Saleh pode enfraquecer ainda mais sua posição na presidência do Iêmen, que está próximo de uma guerra civil.

Especulações

De acordo com oficiais, Saleh e diversos oficiais do governo estavam rezando na mesquita al-Nahdayn, dentro do complexo que serve de residência ao presidente, no sul da capital, Sanaa, quando o prédio foi atingido por pelo menos três foguetes. Sete guardas morreram em consequência da explosão.

Horas depois do ataque, o presidente divulgou uma mensagem de áudio em que garantia que estava bem. Nela, o líder iemenita disse que foi alvo de uma "gangue fora-da-lei" de seu oponente, o xeque Sadeq al-Ahmar, chefe da tribo Hashid.

O xeque al-Ahmar negou que os membros de seu clã, que continuam enfrentando as forças de segurança do Iêmen, tenham sido responsáveis pelo ataque.

O ministro da Cooperação Internacional do Iêmen, Hisham Sharaf, disse à BBC que o presidente teve somente ferimentos leves na cabeça.

No entanto, fontes próximas ao presidente disseram à BBC que ele tem um estilhaço de cerca de 7,6 centímetros alojado abaixo do coração, que estaria perfurando seus pulmões.

O ministro Hisham Sharaf disse ainda que os chefes das câmaras do parlamento, Yahya al-Rai e Abdul Aziz Abdul Ghani foram seriamente feridos, assim como o primeiro-ministro Ali Mohammed Mujawar e o conselheiro de segurança de Saleh.

A agência de notícias estatal Saba disse que os oficiais foram de avião para a Arábia Saudita, onde receberiam tratamento médico

Grupo tribal

Segundo a correspondente da BBC em Sanaa, Lina Sinjab, a capital permaneceu calma neste sábado, após uma interrupção nos confrontos entre as forças do governo e membros do grupo tribal Hashid durante a noite.

Nos últimos dias, aos protestos pró-democracia, inspirados nas revoluções do Egito e da Tunísia, se somaram ataques realizadas por membros do grupo tribal Hashid, rival de Saleh.

Oficiais do clã dizem que dez pessoas foram mortas e 35 ficaram feridas quando as forças do governo bombardearam a área de Hassaba, onde vive Hamid al-Ahmar, o irmão do líder do clã.

A família Ahmar está financiando a oposição e ajudando a sustentar os manifestantes, que pedem a renúncia do presidente desde janeiro.

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Image caption O presidente não apareceu em público desde ter sido ferido no bombardeio

Segundo Lina Sinjab, crescem os temores de que o país esteja à beira da guerra civil, já que a retaliação ao ataque contra Saleh pode levar a confrontos ainda mais duros.

Os Estados Unidos mandaram um enviado ao golfo Pérsico para discutir maneiras de parar a violência, que já fez mais de 350 vítimas desde janeiro. Nos últimos dias, 135 morreram.

Governos regionais e ocidentais pressionam para que o presidente assine um acordo de cooperação com os países do Golfo, que prevê sua renúncia em troca de garantias de que não será processado.

Ele concordou em assinar o acordo em diversas ocasiões, mas desistiu.

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