Testes iniciais dizem que fazenda alemã não é origem de surto de E.coli

Estufa em fazenda em Uelzen, suspeita de ser origem de surto de E.coli Foto AP Direito de imagem BBC World Service
Image caption A fazenda vendia para restaurantes e mercados em Hamburgo.

Testes iniciais constataram que os brotos de feijão, lentilha e ervilha produzidos em uma fazenda orgânica alemã não são a causa do surto de infecções por uma variante altamente tóxica do E.coli que matou 22 pessoas, afirmaram nesta segunda-feira autoridades alemãs.

O ministro da Agricultura para a região da baixa Saxônia, Gert Lindemann, disse análises de 23 entre 40 amostras dos brotos da fazenda testaram negativo para a bactéria, mas ainda restam alguns testes importantes a ser feitos antes de uma conclusão definitiva.

No entanto, o ministério disse que as investigações não devem ser concluídas no curto prazo.

Os resultados contrariam a informação divulgada no domingo de que a fazenda localizada em Ulzen, cerca de 100 km ao sul de Hamburgo, seria o epicentro do surto que deixou mais de 2 mil pessoas enfermas.

"Enquanto temos indicações fortes e claras de que uma fazenda em Uelzen está envolvida (com o surto), temos que esperar os resultados oficiais de laboratório", havia dito o ministro alemão da Saúde, Daniel Bahr, no domingo.

Constrangimento

A fazenda, que produz brotos de feijão, lentinha, ervilha e outras leguminosas foi fechada e todos os seus produtos recolhidos.

Seus legumes eram vendidos para restaurantes e mercados em Hamburgo e outras cidades.

Segundo o correspondente da BBC em Berlim Steve Evans, se a fazenda fosse confirmada como origem do surto, o caso causaria grande constrangimento para as autoridades alemãs, que tinham inicialmente apontado para pepinos produzidos na Espanha como sendo a provável causa da contaminação pelo E.coli.

Ministros da Saúde dos países da União Europeia se reúnem nesta segunda-feira em Luxemburgo para discutir o surto.

Gado e ovelhas

A bactéria já matou 22 pessoas, 21 na Alemanha e uma na Suécia, e infectou cerca de outras 2 mil, na Alemanha e outros 12 países.

A maioria dos afetados pelo surto está na Alemanha, com casos concentrados na cidade de Hamburgo.

Mais de 2.150 pessoas no país foram infectadas. O ministro federal da Saúde, Daniel Bahr, informou que os hospitais do norte da Alemanha estão superlotados devido ao surto, mas os funcionários estão fazendo "todo o que for necessário" para ajudar os pacientes.

A E. coli, que costuma habitar as entranhas de gado e ovelhas, em geral é inofensiva à saúde. Mas a variedade que está atacando a Europa, a EHEC, causa diarreia, cólicas estomacais severas e febre. Ela se prende às paredes do intestino, onde libera toxinas.

A maioria das vítimas se recupera após alguns dias de tratamento, mas um pequeno número de pacientes desenvolve uma síndrome potencialmente fatal, que ataca os sistemas renal e nervoso.

Cientistas afirmaram que a nova variante da E.coli é um híbrido agressivo, tóxico para humanos e que não estava ligado anteriormente à intoxicações alimentares.

A Espanha é o país mais afetado economicamente pelo episódio, com grande perdas registradas por produtores locais de pepino e outros legumes e verduras. O premiê José Luis Rodríguez Zapatero disse que seu país vai exigir reparações pelas perdas sofridas.

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