Secretário-geral da ONU anuncia candidatura à reeleição

Ban Ki-moon em foto de arquivo (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Criticado em direitos humanos, Ban se diz um 'construtor de pontes'

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta segunda-feira que buscará um segundo mandato no órgão, citando seu empenho contra as mudanças climáticas, em favor dos manifestantes árabes e na “construção de pontes” entre os países-membros das Nações Unidas.

Para críticos, porém, ele tem sido excessivamente submisso às grandes potências globais e menos combativo do que seu antecessor, Kofi Annan.

Ban, que é ex-chanceler da Coreia do Sul, disse que “humildemente” se postula à reeleição em uma carta enviada aos 15 membros do Conselho de Segurança e aos 192 países da Assembleia Geral.

Para diplomatas, são grandes as chances de que o sul-coreano obtenha um segundo mandato: não há nenhum outro candidato à vista, e Ban tem o apoio dos membros permanentes do Conselho de Segurança (França, EUA, Grã-Bretanha, Rússia e China).

Pouco depois da formalização da candidatura, ele recebeu o apoio declarado da França e de um grupo regional de países asiáticos, que congrega 53 nações. Ban disse que se encontrará com representantes de outros continentes nos próximos dois dias para discutir sua candidatura.

Nesse cenário, é possível, segundo a agência de notícias Associated Press, que Ban seja reeleito por aclamação na Assembleia Geral da ONU no final deste mês.

Críticas em direitos humanos

Em seu atual mandato, Ban foi alvo de fortes críticas por seu perfil de atuação – que ele chama de “diplomacia silenciosa”, feita nos bastidores - e por seu silêncio perante violações de direitos humanos cometidas por países com forte poder dentro da ONU, como China e Rússia.

Em novembro passado, essas críticas se intensificaram quando Ban visitou a China e se encontrou com o presidente Hu Jintao. Na ocasião, o secretário-geral não falou da prisão do dissidente político Liu Xiaobo, vencedor do Prêmio Nobel da Paz.

Em janeiro passado, a ONG Human Rights Watch disse em relatório que "a falta de inclinação" de Ban “para se manifestar sobre violações sérias de direitos humanos significa que ele frequentemente está escolhendo lutar com uma mão presa atrás de suas costas”.

Ao declarar à imprensa sua intenção de se recandidatar, Ban disse que tem falado “constantemente com a China sobre a necessidade de melhorar (o respeito) aos direitos humanos”.

Agregou que uma de suas principais conquistas foi colocar as mudanças climáticas entre as prioridades globais e que, na sua gestão, a ONU respondeu “rápida e efetivamente a uma série de crises humanitárias” em países como Haiti, Mianmar e Paquistão.

Também declarou que, durante a atual onda de protestos no mundo árabe, “nós nos manifestamos de forma firme e sem ambiguidades. Ouçam as vozes de seus povos, dissemos aos governantes da região”.

Seu mandato, de cinco anos, termina em 31 de dezembro.

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