França diz que 74 corpos de passageiros do AF 447 ficarão no mar

Detalhe de memorial às vítimas inaugurado por ocasião do 1º ano do acidente (Foto: AFP/ Getty Images) Direito de imagem AFP
Image caption Robô depositou homenagem às vítimas no fundo do oceano

Setenta e quatro corpos do voo AF 447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009 com 228 pessoas a bordo, ficarão definitivamente no fundo do mar, segundo as autoridades francesas.

A operação de resgate dos restos mortais, iniciada em maio, foi encerrada na última sexta-feira.

O mesmo robô utilizado para recuperar os corpos, situados a 3,9 mil metros de profundidade, depositou no fundo do oceano, na área dos destroços, uma placa com a inscrição “em memória às vítimas do acidente com o voo AF 447”, escrita em português, francês e inglês.

Em uma carta enviada aos familiares, o governo francês informa que, no total, 104 corpos “suscetíveis de serem identificados” foram retirados do oceano durante essa quinta fase de buscas.

Logo após a catástrofe, em 31 de maio (hora de Brasília) de 2009, 50 corpos que estavam flutuando no mar haviam sido resgatados, sendo 20 deles de brasileiros.

No total, portanto, 154 corpos dos 228 que estavam a bordo do avião puderam ser retirados do oceano.

“Todos os corpos que podiam ser resgatados conforme os critérios definidos pela carta dos juízes em 10 de maio e verificados pelas equipes de legistas, o foram”, diz a nota enviada às famílias das vítimas.

Identificação

Os juízes responsáveis pelo processo na França haviam informado os familiares, em 10 de maio, que apenas os corpos que não estivessem muito degradados e que “pudessem ser entregues decentemente às famílias” poderiam ser resgatados.

No entanto, a decisão foi criticada pelos familiares, principalmente no Brasil.

O navio Ile de Sein deixou o local do acidente, a cerca de 1,1 mil quilômetros da costa brasileira, na sexta-feira passada, um dia antes do previsto.

Agora, ele segue para Las Palmas, na Espanha, e deverá atracar no porto do Bayonne, no sudoeste da França, em meados de junho, segundo informações obtidas pela BBC Brasil.

Os corpos serão transferidos para um instituto médico legal na França (o nome da cidade ainda não é conhecido) para o início da identificação das vítimas, que será feita elos peritos do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa (IRCGN, na sigla em francês).

O instituto, que já atuou em 38 grandes catástrofes, dispõe até o momento do DNA dos parentes das vítimas europeias.

Image caption Todas as 228 pessoas a bordo morreram no acidente

A transferência à França do material genético dos parentes brasileiros será realizada pela Interpol, que preferiu não comentar à BBC Brasil se já teria efetuado essa solicitação às autoridades brasileiras.

Um relatório intermediário sobre as causas do acidente deverá ser divulgado no final de julho, segundo o Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês).

Mas o relatório definitivo, com as conclusões sobre o acidente, só será publicado no início de 2012.

Até lá, os investigadores examinarão detalhadamente os 1,3 mil parâmetros do voo gravados por uma das caixas-pretas, como também as duas horas de conversas dos pilotos e de sons da cabine gravados pela segunda, e analisarão ainda as peças do avião resgatadas, como os computadores de bordo, motores e partes das asas.

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