Banco Mundial sugere que Brasil limite o crédito para segurar inflação

Reuters
Image caption Grande demanda doméstica resulta em pressão inflacionária, diz banco

Os bancos públicos brasileiros devem conter a expansão do crédito para ancorar as expectativas inflacionárias, diz um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial, em Washington.

Segundo o relatório Perspectivas Econômicas Globais, as pressões inflacionárias estão aumentando em várias economias, puxadas por fatores como a alta dos preços de alimentos e combustíveis, forte demanda doméstica e aumento de salários.

O documento cita o caso do Brasil e observa que o país é um dos que registram uma grande demanda interna, que gera preocupação por exercer pressão inflacionária.

O aumento da inflação – que, segundo o IBGE, já chega a 6,55% no acumulado dos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta – preocupa o governo brasileiro, que vem adotando medidas como o aumento da taxa básica de juros (Selic).

Em seu relatório, o Banco Mundial prevê crescimento de 4,2% para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano, taxa um pouco acima da projetada pelo mercado no Brasil, de 4%.

Para o ano que vem, a previsão do Banco Mundial é de crescimento de 4,1%, e para 2013, de 3,8%.

Segundo o documento, as projeções se devem ao fato de a economia brasileira estar operando próxima de sua “capacidade máxima” e os salários estarem começando a crescer “mais rápido do que a produtividade”.

Desafios

O Banco Mundial projeta também que a apreciação do real frente ao dólar vai continuar a ter impacto sobre a produção industrial brasileira, “tanto por causa de exportações mais fracas quanto pelo aumento da demanda por importações”.

Segundo o relatório, os fluxos de capitais continuarão a crescer, impulsionados por um aumento nos investimentos estrangeiros diretos, apesar dos esforços do governo para conter a entrada excessiva de capitais.

Desde o ano passado o governo brasileiro vem adotando medidas para conter o fluxo de capitais, que, assim como em outros países emergentes, chega ao Brasil atraído pelas altas taxas de juros e acaba provocando a valorização da moeda local e a consequente perda de competitividade nas exportações.

O Banco Mundial alerta ainda para o risco que uma súbita reversão nos mercados de capital, acompanhada de uma possível depreciação brusca no câmbio, poderia ter sobre países como o Brasil.

O relatório traz dados e projeções sobre as economias em desenvolvimento em diferentes regiões e afirma que, com o fim da crise financeira mundial, esses países precisam agora se concentrar na resolução de desafios específicos.

Entre os desafios estão lidar com as pressões inflacionárias, enfrentar os altos preços das commodities e conseguir um crescimento equilibrado, por meio de reformas estruturais.

“Muitas economias em desenvolvimento estão operando acima da sua capacidade produtiva e com risco de superaquecimento, principalmente na Ásia e na América Latina”, diz o diretor de Perspectivas do Desenvolvimento do Banco Mundial, Hans Timmer, no material de apresentação do relatório.

“A política monetária tem respondido, mas a política fiscal e da taxa de câmbio precisarão desempenhar um papel mais acentuado para manter a inflação sob controle”, afirma.

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