‘Choques com Al Qaeda’ matam pelo menos 15 no sul do Iêmen, diz governo

O presidente do Iêmen Ali Abullah Saleh Direito de imagem REUTERS
Image caption Saleh está na Arábia Saudita se recuperando de um ataque

Pelo menos 15 pessoas morreram na cidade de Zinjibar, no sul do Iêmen, em choques entre forças de segurança e supostos militantes da Al-Qaeda nesta terça-feira, segundo o governo do país.

As Forças Armadas iemenitas afirmam que enviaram três brigadas para retomar a cidade que está em poder dos rebeldes.

No entanto, a oposição diz que o governo vem usando a ameaça da Al-Qaeda para tentar conter a pressão internacional pela saída definitiva do presidente Ali Abdullah Saleh do cargo.

Saleh está na Arábia Saudita para onde viajou no sábado. Ele se recupera de ferimentos que sofreu num atentado ocorrido no dia anterio. O vice-presidente, Abu-Rabbu Mansour Hadi, que ocupa o cargo interinamente, disse que Saleh deve voltar ao país dentro de alguns dias.

Segunda cidade

Há relatos de violência também na segunda maior cidade do Iêmen, Taiz.

"Nós, as tribos, em apoio aos oprimidos e retaliação ao governo ilegítimo... nos mobilizamos ao redor de instalações do governo... que agora controlamos", disse o xeque Hammoud Saeed al-Mikhlafi, chefe do conselho tribal em Taiz, à agência de notícias AFP.

Choques ocorreram nas proximidades do palácio presidencial em Taiz e o disparo de um tanque teria atingido um bairro residencial, matando quatro pessoas, três delas, crianças, segundo a agência AP.

Militares confirmam que vêm bombardeando alvos rebeldes nos arredores de Taiz.

Oposição

Na segunda-feira, representantes da principal coalizão de oposição no Iêmen disseram que aceitam a transferência de poder no país para o vice-presidente.

O vice Hadi possui, na prática, pouco poder, já que os filhos de Saleh e outros de seus parentes ocupam postos-chave no comando das forças de segurança.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Milhares vêm celebrando a partida de Saleh no Iêmen

Milhares de pessoas vêm celebrando a partida do presidente, que está há 33 anos no poder, depois de semanas de protestos contra o seu governo, mas choques entre manifestantes e a polícia em Sanaa deixaram três mortos nesta segunda-feira.

Também nesta segunda-feira, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, reiterou o desejo de seu país de ver uma transição imediata de poder no Iêmen.

Atentado

O atentado de sexta-feira realizado contra Saleh se deu após dias de enfrentamentos de rua entre forças do governo e ativistas leais a Sadiq Al-Ahmar, que comanda o grupo tribal Hashid.

A trégua negociada entre o grupo leal a Hashid e as forças do governo, a partir desta segunda-feira, deu sinais de estar sendo respeitada.

Esses combates e a repressão, pelas forças do governo, dos protestos que há meses pedem a saída de Saleh já mataram mais de 160 pessoas.

Os protestos que vêm sacudindo o país se inspiraram nas insurreições populares realizadas na Tunísia e no Egito, que levaram à deposição dos líderes destes países.

Assim como nos outros países árabes, os manifestantes vêm pedindo reformas democráticas e a renúncia do presidente.

Saleh concordou com um acordo intermediado pelo Conselho de Cooperação do Golfo, pelo qual ele aceitaria renunciar e, em troca, não seria processado.

Mas, por ora ele vem se recusando a assinar o acordo. Alguns analistas acreditam que a Arábia Saudita fará uso de sua presença no país para pressionar o governo a ratificar o tratado.

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