Khadafi diz que permanece em Trípoli ‘vivo ou morto’

Cartaz com foto de Muamar Khadafi em Trípoli Direito de imagem Reuters
Image caption Khadafi pediu que partidários se concentrem em prédios militares

A TV estatal líbia divulgou nesta terça-feira o que diz ser uma mensagem de áudio do líder do país, Muammar Khadafi, na qual afirma que permanecerá na capital do país, Trípoli, "vivo ou morto".

Na gravação, o homem identificado com o líder líbio disse que morrer como mártir seria "um milhão de vezes melhor do que se render".

Ele pediu para que seus simpatizantes se concentrem em instalações militares para desafiar os bombardeios da Otan.

"O povo líbio marchará, a leste ou oeste, ou qualquer lugar onde estejam as gangues armadas", disse ele.

Dirigindo-se à Otan, Khadafi disse que "seus aviões não vão conseguir impedir estas marchas de milhões, nem as gangues armadas que vocês apoiam resistirão por um minuto sequer".

Bombardeios

A Otan realizou mais de 20 bombardeios em Trípoli nesta terça-feira, em um dos dias mais intensos desde o início dos ataques no país, em março.

Os jatos da aliança ocidental sobrevoaram em baixa altitude a cidade atacando alvos que o governo do país reconheceu serem instalações militares da guarda de Khadafi.

O porta-voz do governo Moussa Ibrahim condenou os ataques, dos poucos até agora realizados durante o dia.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Obeidi foi levada após denunciar o estupro (arquivo)

"Em vez de conversar, eles nos bombardeiam. Eles estão enlouquecendo, perdendo a razão", disse ele.

Diplomacia

Os ataques acontecem em meio ao aumento da pressão para que Khadafi deixe o poder.

O chefe de um painel da União Africana formado para acompanhar a crise na Líbia, o presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Abdle Aziz, disse que a saída de Khadafi se tornou necessária para o fim da crise.

"O que quer que aconteça, deve acontecer uma solução negociada. Em todo caso, Khadafi não pode mais liderar a Líbia. Sua saída se tornou necessária", disse ele à agência AFP.

Ainda nesta terça-feira, Rússia e China enviaram pela primeira vez altos diplomatas para a cidade de Benghazi, sede dos rebeldes na Líbia.

"Viemos a Benghazi para facilitar o diálogo entre os dois lados", disse Mikhail Margelov, enviado russo para a África.

Ao mesmo tempo, Trípoli enviou seu ministro das Relações Exteriores para Pequim no que analistas dizem ser uma tentativa do regime de Khadafi de recuperar apoio internacional.

A União Europeia aprovou a ampliação do congelamento de bens do regime de Khadafi a seis outros portos, inclusive em Trípoli e na cidade de Brega.

O bloco europeu já promove um embargo contra a venda de armas para a Líbia e congelou bilhões de euros e bens de integrantes do governo líbio, de companhias petrolíferas do país e da empresa aérea Afriqiyah.

A União Europeia também abriu um escritório em Benghazi.

Estupro coletivo

Também nesta terça-feira, representantes da ONU disseram que uma mulher líbia que ficou famosa por acusar em março soldados de Khadafi de estuprá-la coletivamente foi levada para um centro de refugiados na Romênia.

Em março, Iman Al-Obeidi foi levada por forças de segurança líbias após fazer a denúncia a jornalistas estrangeiros em Trípoli.

Ela conseguiu escapou da Líbia para o Catar, mas foi deportada de volta para a seu país no sábado. Representantes da ONU disseram que Obeidi conseguiu chegar ao centro de refugiados de Timisoara no domingo.

Forças de Khadafi e rebeldes vêm se enfrentando desde o início de protestos pró-democracia em fevereiro, inspirados nos levantes que derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

Uma coalizão militar internacional interveio em 19 de março sob um mandato internacional para proteger civis. A Otan assumiu o controle das operações em 31 de março.

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