E.coli é problema alemão, não europeu, diz comissário da UE para Saúde

Área de isolamento em hospital de Hamburgo com pacientes do E.coli Direito de imagem AFP
Image caption Grande maioria dos casos foi registrada na região de Hamburgo

O comissário da União Europeia para a Saúde, John Dalli, afirmou nesta terça-feira que o surto de infecções pela bactéria E.coli está limitado geograficamente ao norte da Alemanha e não necessita de medidas de controle no restante da Europa.

Dalli também advertiu a Alemanha sobre a divulgação de informações sobre o foco não confirmadas, dizendo que isso espalha o temor e tem um impacto negativo sobre os produtores agrícolas.

As declarações foram feitas durante uma sessão do Parlamento europeu, em Estrasburgo, na França, antes de uma reunião de emergência entre os ministros da Agricultura dos países do bloco na tarde desta terça-feira em Luxemburgo.

Mais de 2.200 pessoas em 12 países já apresentaram sintomas de infecções intestinais provocadas pela bactéria. Os casos registrados fora da Alemanha são de pessoas que moram ou viajaram ao país.

Das 22 mortes registradas, apenas uma ocorreu fora da Alemanha, na Suécia.

As autoridades alemãs inicialmente responsabilizaram pepinos importados da Espanha como foco da infecção, mas depois afirmaram que testes haviam descartado a possibilidade.

No último fim de semana, uma fazenda orgânica produtora de brotos de feijão para saladas perto de Hamburgo foi identificada como possível origem do foco, mas testes preliminares não comprovaram até agora a presença da bactéria no local.

‘Foco limitado’

“Eu enfatizo que o foco está limitado geograficamente à área no entorno da cidade de Hamburgo, então não há razão para uma ação no nível europeu. Medidas (tomadas pela UE como um todo) contra qualquer produto são desproporcionais”, disse Dalli.

Mas ele admitiu que a proibição ao comércio de alguns produtos é um problema para toda a União Europeia. A Rússia, principal comprador de legumes e verduras produzidos pelos países do bloco, anunciou na semana passada a suspensão de todas as importações.

“Estamos em contato constante com outros países, incluindo a Rússia. Estamos pedindo à Rússia que suspenda a proibição, que é desproporcional”, afirmou Dalli.

Ao comentar o andamento da crise, ele disse que apontar inicialmente os pepinos espanhois como fonte da contaminação foi um erro.

“É crucial que as autoridades nacionais não corram para dar informações sobre a fonte da infecção quando elas não estiverem justificadas pela ciência”, afirmou.

“Isso cria medo e problemas para nossos produtores de alimentos. Precisamos ter cautela para não tirar conclusões precipitadas”, disse.

‘Honra do pepino’

Após o discurso do comissário da Saúde, um deputado espanhol discursou no Parlamento segurando um pepino e afirmou: “Precisamos restaurar a honra do pepino”, disse.

A Espanha diz que vai exigir da Alemanha uma compensação por 100% das perdas verificadas pelos seus produtores após a acusação falsa contra os pepinos exportados pelo país.

A associação espanhola de exportadores de frutas e hortaliças estima as perdas em 225 milhões de euros (cerca de R$ 520 milhões) por semana.

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