Presidente do Iêmen estaria gravemente ferido, dizem fontes dos EUA

O presidente do Iêmen Ali Abullah Saleh Direito de imagem REUTERS
Image caption Saleh está na Arábia Saudita se recuperando de um ataque

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, sofreu ferimentos mais graves do que se acreditava durante um ataque de forças da oposição na capital iemenita, Sanaa, na semana passada. A informação foi dada por fontes do governo dos EUA à agência de notícias Associated Press.

De acordo com as informações, Saleh sofreu queimaduras em 40% do corpo e um sangramento intracraniano. Fontes próximas ao presidente disseram à BBC que ele tem queimaduras de segundo grau no peito e no rosto, e que tem um pedaço de estilhaço de cerca de 7,6 cm alojado embaixo do coração.

O ataque com foguetes e morteiros ao palácio presidencial ocorreu na última sexta-feira, após dias de choques violentos entre forças do governo e homens leais ao líder do clã Hashid, Sadiq Al-Ahmar - um dos mais poderosos chefes tribais do Iêmen.

Milhares de pessoas vêm comemorando a partida de Saleh para a Arábia Saudita, onde o presidente está recebendo tratamento médico. Ele viajou após passar o governo interinamente para as mãos do vice, Abu-Rabbu Mansour Hadi.

O vice-presidente afirma que Saleh deve voltar ao Iêmen dentro de alguns dias. Na segunda-feira, representantes da principal coalizão de oposição no Iêmen disseram que aceitariam uma transferência de poder no país para o vice. Hadi, entretanto, detém pouco poder na prática, já que filhos e outros parentes de Saleh ocupam postos-chave no comando das forças de segurança.

Saleh não é visto em público desde o ataque da última sexta-feira, que deixou sete mortos e vários membros do governo feridos, além do presidente. Ele se recusa a deixar o poder apesar de protestos de rua e da revolta de líderes tribais que levou o país para a beira da guerra civil - e já causou a morte de mais de 350 pessoas.

Combates

As informações sobre o estado de saúde de Saleh foram divulgadas nesta terça-feira em meio a relatos de novos choques nas cidades de Taiz e Zinjibar, no sul do Iêmen.

Pelo menos 15 pessoas morreram em Zinjibar, no sul, em choques entre militares e o que o governo diz ser militantes da rede Al-Qaeda. A oposição afirma, entretanto, que o governo vem usando a ameaça da Al-Qaeda como forma de obter apoio de governos estrangeiros, e que na verdade Zinjibar está tomada por manifestantes contrários a Saleh.

Três brigadas das Forças Armadas iemenitas foram enviadas para retomar a cidade, que estaria em poder de rebeldes.

Há relatos de violência também na segunda maior cidade do Iêmen, Taiz.

"Nós, as tribos, em apoio aos oprimidos e retaliação ao governo ilegítimo... nos mobilizamos ao redor de instalações do governo... que agora controlamos", disse o xeque Hammoud Saeed al-Mikhlafi, chefe do conselho tribal em Taiz, à agência de notícias AFP.

Choques ocorreram nas proximidades do palácio presidencial em Taiz e o disparo de um tanque teria atingido um bairro residencial, matando quatro pessoas, três delas, crianças, segundo a AP.

Militares confirmam que vêm bombardeando alvos rebeldes nos arredores de Taiz.

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