Governo precisa melhorar diálogo com Congresso, diz ex-presidente do PT

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Image caption Senadora aceitou assumir posto deixado por Antonio Palocci

O ex-presidente do PT e deputado federal Ricardo Berzoini disse nesta quarta-feira que a demissão do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, “esvazia o impacto político” do caso, mas que o governo precisa melhorar seu diálogo com os parlamentares, com vistas a aumentar a coesão na base aliada.

“O que é preciso é melhorar o processo de diálogo entre o Planalto e o Parlamento para ter mais informação e fluidez”, diz Berzoini à BBC Brasil.

Considerado o principal articulador político de Dilma Rousseff, Palocci pediu demissão na tarde desta terça-feira, três semanas após uma reportagem informar que seu patrimônio crescera ao menos 20 vezes nos últimos quatro anos.

Segundo analistas, o caso expôs o descontentamento da base aliada com o governo e teve peso na primeira grande derrota de Dilma no Congresso, quando deputados federais liderados pelo governista PMDB aprovaram alterações no Código Florestal que desagradaram o Planalto.

Para Berzoini, o contato entre o governo e os partidos aliados deve ser intermediado não pela Casa Civil, mas pela Secretaria das Relações Institucionais, pasta atualmente chefiada pelo ministro Luiz Sérgio.

Ele diz que o Luiz Sérgio é “competente e experiente”, mas “é preciso ver como o governo lhe dará condições para exercer plenamente suas funções.”

Após o anúncio de que Palocci seria substituído pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que disse ter sido orientada por Dilma a exercer trabalho mais gerencial do que político, analistas passaram a cogitar que Sérgio também deixasse o posto, já que haveria descontentamento entre aliados quanto à eficiência de sua atuação.

'Política experiente'

Berzoini definiu Gleisi como uma “política experiente e uma gestora testada em vários governos”.

“Tivemos sempre uma relação muito positiva, e ela tem todos os atributos para assumir Casa Civil”, disse o ex-presidente do PT

Ele relativizou o impacto do conflito entre o PT e o PMDB na intensificação da crise que levou à queda de Palocci.

“O PMDB é um partido com grande diversidade interna, com algumas opiniões que não se aliam plenamente com núcleos do governo, mas que tem sido leal e correto. Tivemos uma votação conflitante no Código Florestal, mas isso era previsível desde o ano passado”.

Bancada insatisfeita

Já o deputado federal Osmar Serraglio, vice-líder do PMDB na Câmara, confirma a existência de mal-estar na base aliada e diz que sua bancada está insatisfeita com a retenção, pelo governo, de verbas para emendas aprovadas pelos congressistas.

“Estamos em momento de insatisfação. Quando o governo, por um decreto, anula restos a pagar dos Orçamentos de 2007 e 2008, ficamos numa situação complicada. Queremos tranquilidade, não podemos ter o receio de ir aos gabinetes e encontrar um prefeito reclamando”, diz ele à BBC Brasil.

Paranaense como Gleisi Hoffmann, Serraglio diz ter as “melhores expectativas possíveis” quanto à gestão da nova ministra da Casa Civil.

“Nós, paranaenses, ficamos surpresos com atuação da senadora nos últimos quatro, cinco meses. Ela praticamente revolucionou os enfoques do cargo que exerce, rastreando toda os programas federais que pudessem interferir nos Estados e municípios e percorrendo o Paraná para apresentar isso.”

Segundo Serraglio, porém, como Gleisi tem um perfil técnico, a saída de Palocci cria “um vácuo político” no governo. Ele diz esperar que o ministro Luiz Sérgio ocupe o espaço vago deixado por Palocci.

Para o deputado, “Luiz Sérgio estava muito recolhido, talvez em função da hegemonia do Palocci. Agora, ou se solta, ou vai ser solto”.

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