Khadafi é investigado por 'uso do estupro como arma de guerra'

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Image caption Khadafi teria dado Viagra aos soldados para 'incentivar estupros'

O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, afirmou nesta quarta-feira ter evidências de que o líder líbio, coronel Muamar Khadafi, ordenou que mulheres fossem estupradas, como uma estratégia contra as forças rebeldes.

Moreno-Ocampo disse ainda que está em curso uma investigação sobre possíveis evidências de que militares receberam medicamentos como Viagra para aumentar a libido durante o combate.

O governo líbio, que não reconhece a jurisdição do TPI, não se pronunciou sobre as acusações.

No mês passado, o promotor já havia emitido um mandado de prisão contra Khadafi e dois de seus colaboradores, por crimes contra a humanidade.

O líder líbio seria o maior responsável, na opinião de Moreno-Ocampo, pelos ataques contra a civis no país em fevereiro, quando entre 500 e 700 pessoas foram mortas.

Punição

Segundo o promotor, as evidências sugerem que Khadafi decidiu punir as mulheres usando o estupro como uma arma, na tentativa de que isso causasse medo e enfraquecesse a dissidência.

“O estupro não costuma ser usado na Líbia para controlar a população. É um novo aspecto da repressão líbia. E é por isso que tínhamos dúvidas no começo, mas agora estamos mais convencidos”, disse.

“Aparentemente, ele decidiu punir, usando o estupro.”

O representante do TPI afirmou, no entanto, ser difícil identificar quantos casos ocorreram. “Em algumas áreas, cem pessoas foram estupradas. A questão para nós é: podemos atribuir esses crimes ao próprio Khadafi ou é algo com aconteceu no campo de batalhas?”

Moreno-Ocampo disse ainda que algumas testemunhas confirmaram que o governo estava comprando carregamentos de remédios similares ao Viagra para “aumentar a possibilidade de estupro”.

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