Grécia submete a Parlamento novas medidas de austeridade

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Image caption Dezenas de milhares foram às ruas de Atenas contra as medidas

O governo grego aprovou e submeteu ao Parlamento nesta quinta-feira outra rodada de medidas de austeridade exigidas pela União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) em troca de ajuda econômica.

As medidas incluem mais privatizações, que devem trazer 50 bilhões de euros (cerca de R$ 115 bilhões) para a economia do país até 2015.

O pacote "inclui intervenções para reduzir para 7,5% do PIB o deficit este ano e medidas maiores para diminuí-lo para 3% do PIB até 2014 e 1% no ano seguinte", disse o ministro das Finanças, George Papaconstantinou, à agência Associated Press.

O deficit público grego atualmente é de 10,5% do PIB - em 2009, representava 15,4%. O montante da dívida grega chega a 327 bilhões de euros (R$ 757 bilhões), quase 150% de seu PIB.

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Pelas medidas, todos os gregos ganhando mais de 10 mil euros por ano vão pagar mais impostos pelos próximos quatro anos.

O imposto sobre vendas em bares e restaurantes sobe dos atuais 13% para 23%. O governo cortará também gastos em áreas como saúde e educação.

O Parlamento tem agora até o fim do mês para aprovar as medidas. A nova parcela de ajuda ao país só deve ser liberada após a aprovação delas.

Muitos parlamentares criticaram as medidas, que ocorrem após a adoção de uma série de cortes salariais, além de aumento de impostos e de uma mudança na idade para a aposentadoria.

A Grécia conta com a parcela de ajuda de 12 bilhões de euros que deve receber em julho para honrar os compromissos de sua dívida.

Outros países do bloco europeu haviam ameaçado cortar a ajuda ao país se a Grécia continuar lenta na implementação das reformas prometidas.

Entretanto, o ministro das Finanças das Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse que o pacote de ajuda para Grécia de 110 bilhões de euros, aprovado no ano passado, seria insuficiente para o país continuar pagando suas dívidas.

Dezenas de milhares de funcionários públicos fizeram greve nesta quinta-feira contra possíveis demissões geradas pelas privatizações.

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