No Brasil, Humala diz que investimentos estrangeiros dependem de opinião popular

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Image caption Humala veio ao Brasil em sua primeira viagem internacional após ser eleito

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, disse nesta quinta-feira após se reunir com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, que investimentos no setor energético e extrativista peruano, como os previstos em acordo entre seu país e o Brasil, devem levar em conta a opinião das comunidades locais.

“É importante assinalar que qualquer tipo de investimento que seja de natureza extrativa ou outros tipos de projetos energéticos precisam contar com a licença social. O Peru está sujeito a acordos que dão importância à opinião, à consulta popular, e isso temos que respeitar”, disse Humala, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

O peruano, que iniciou pelo Brasil sua primeira viagem internacional como presidente eleito, disse ainda que é preciso “incluir a participação das comunidades dentro do que são os projetos de investimento”.

Em 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega peruano, Alan García, assinaram acordo que prevê a construção de ao menos seis usinas hidrelétricas na Amazônia peruana, que teriam como principal cliente o mercado brasileiro.

As usinas seriam erguidas com financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), participação de empreiteiras brasileiras e assessoria técnica da Eletrobrás, estatal brasileira do setor elétrico.

Segundo a Eletrobrás, as usinas seriam capazes de gerar entre 7 mil e 8 mil megawatts de energia e teriam custo estimado em US$ 16 bilhões. Em julho, devem ser finalizados os estudos de viabilidade para a construção da primeira usina, a de Inambari, com potência instalada de 2 mil megawatts, custo de US$ 4 bilhões e consórcio formado pelas brasileiras OAS (51%), Eletrobrás (29,4%) e Furnas (19,6%).

Durante a campanha, Humala se comprometeu a cumprir os acordos assinados pelo atual governo peruano. No entanto, por ser considerado próximo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a candidata com que disputou o segundo turno, a conservadora Keiko Fujomori, disse que ele nacionalizaria setores da economia caso fosse eleito, a exemplo do venezuelano.

Cooperação

Em sua fala à imprensa, Humala disse ainda que conversou com Dilma sobre seu interesse em manter com Brasil intercâmbio técnico em políticas de universalização do ensino básico, previdência social e combate à pobreza.

“Reconhecemos que o Brasil é um modelo exitoso, que conseguiu combinar crescimento econômico, estabilidade macroeconômica e inclusão social. Mas é importante reconhecer que a realidade do Peru é distinta da do Brasil”.

Mencionou também que os dois países devem lutar contra o narcotráfico, o que exige fortalecimento da vigilância na divisa entre os dois países.

Isso porque, segundo ele, embora o Brasil seja o vizinho mais rico do Peru, a região peruana próxima ao território brasileiro é mais pobre do que as outras regiões fronteiriças do país.

Ainda nesta quinta-feira, Humala deve viajar a São Paulo, onde se encontrará com Lula. Em seguida, parte para o Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile.

Ele ainda disse pretender visitar, antes de tomar posse, em 28 de julho, Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia e os Estados Unidos.

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