Itália é ‘humilhada’ pela libertação de Battisti, diz jornal francês

Manifestantes pedem libertação de Battisti em frente ao STF antes da votação Direito de imagem AFP
Image caption Manifestantes pediram libertação de Battisti antes de votação no STF

As autoridades italianas foram “humilhadas” pela decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro de negar a extradição do ex-militante de esquerda Cesare Battisti, segundo afirma artigo publicado nesta sexta-feira pelo diário francês Le Figaro.

Para o jornal, a humilhação foi expressa pelo presidente italiano, Giorgio Napolitano, “declarando que o veredicto de quarta-feira pelo STF ‘afastou-se do relacionamento histórico de consanguinidade e de amizade que existem entre os dois países’”.

Battisti, de 56 anos, foi condenado na Itália pela participação em quatro assassinatos cometidos entre 1977 e 1979, quando era militante de uma organização de extrema esquerda. Ele nega as acusações e diz ser perseguido pelas autoridades italianas.

O artigo do Figaro observa que a decisão que levou à soltura de Battisti, preso desde 2007 no Brasil, parece ser o ponto final de um processo que se arrastava desde 1991 para os italianos, quando tentaram em vão sua extradição da França, onde se abrigava então após fugir da prisão na Itália e passar pelo México.

Para o jornal francês, o caso não deve prejudicar as relações entre Brasil e Itália, apesar dos protestos oficiais das autoridades italianas e das promessas de apelação ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia (Holanda) e de sugestões de boicote à Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

“Em setembro em Brasília, (o premiê) Silvio Berlusconi fez uma distinção entre o caso e as razões jurídicas de Estado, que devem proteger os interesses econômicos de 7 milhões de euros em comércio e 10 bilhões de euros em contratos empresariais”, observa.

“Como disse ontem um diplomata, a Itália se recusa a se tornar ‘refém de Battisti’”, comenta o jornal.

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