BC dos EUA alerta para distúrbios nos mercados se teto da dívida não for elevado

Ben Bernanke, nesta terça-feira (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Para Bernanke, os EUA devem aumentar teto para cumprir pagamentos

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, disse nesta terça-feira que, caso o limite da dívida pública americana não seja elevado, os Estados Unidos deixarão de cumprir suas obrigações, o que provocaria distúrbios nos mercados financeiros.

“Fracassar em aumentar o limite da dívida iria exigir que o governo federal atrase ou descumpra pagamentos de obrigações já contratadas”, disse Bernanke, em uma palestra em Washington.

Segundo o presidente do Fed, mesmo uma breve suspensão de pagamentos das obrigações do Tesouro americano causaria grandes distúrbios nos mercados financeiros.

De acordo com Bernanke, isso induziria a rebaixamentos na classificação de crédito dos Estados Unidos e prejudicaria “o papel especial” do dólar e dos títulos do Tesouro nos mercados globais.

As declarações de Bernanke representam mais uma tentativa de exercer pressão para que o Congresso americano aprove o aumento do teto da dívida pública americana, que chegou ao seu limite legal, de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,6 trilhões) em 16 de maio.

Na ocasião, o governo anunciou a adoção de medidas temporárias para impedir que a dívida ultrapasse o teto, como a suspensão de investimentos em fundos de pensão.

Segundo o Tesouro americano, porém, mesmo com essas medidas, o endividamento irá ultrapassar o limite no dia 2 de agosto, caso o Congresso não chegue a um acordo para permitir a elevação do teto.

Impasse

Comum no Congresso americano, onde ocorre de forma periódica desde 1917 (data em que foi estabelecido um limite legal para o endividamento do país), a renegociação do teto da dívida enfrenta um impasse no momento.

A oposição republicana exige que o aumento do limite seja vinculado a cortes maiores no orçamento americano dos que os desejados pelo governo democrata.

“Eu entendo completamente o desejo de usar o prazo final para aumentar limite da dívida para forçar alguns ajustes necessários e difíceis na política fiscal”, disse Bernanke.

“Mas o limite da dívida é a ferramenta errada para esse trabalho importante”, afirmou, ao pedir que democratas e republicanos busquem um plano de longo prazo para conter o deficit americano, que deve fechar este ano fiscal em US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões).

O impasse em torno da dívida e do deficit no orçamento já levou agências de classificação de risco a alertarem sobre a possibilidade de rebaixamento da nota dada aos dos Estados Unidos.

No início do mês, a agência Moody’s advertiu que, se o Congresso não chegar a um acordo para elevar o limite do endividamento, poderá rebaixar a classificação da dívida americana devido ao “muito pequeno, mas crescente risco de moratória”.

Em abril, a Standard & Poor’s já havia rebaixado sua perspectiva da dívida dos Estados Unidos de “estável” para “negativa”, em uma medida de alerta para a possibilidade de rebaixamento na classificação de crédito do país.

Os Estados Unidos têm atualmente a mais alta classificação de crédito, “AAA”, que significa que o país tem grande capacidade de cumprir seus compromissos financeiros.

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