Rei diz que Jordânia poderá ter governo eleito em até três anos

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Image caption Maioria dos manifestantes quer que o rei Abdullah mantenha poderes

O rei Abdullah da Jordânia afirmou nesta terça-feira que levará até três anos até que a população possa ter um governo democraticamente eleito.

Foi a primeira vez que o rei, que nomeia o primeiro-ministro, indicou prazos para que entrem em vigor as reformas políticas que ele havia anunciado no domingo.

Segundo o correspondente da BBC na Jordânia Dale Gavlak, o rei disse que ele poderia pensar em um governo eleito dentre de dois ou três anos, caso os 33 partidos do país aceitem se fundir em três grandes grupos de esquerda, direita e centro.

A declaração foi feita em um encontro para jovens jordanianos das 12 províncias do país, incluindo Tafila, visitada por Abdullah na segunda-feira.

Nesta terça-feira, a província foi palco de protestos de jovens, que reclamaram da dura repressão da polícia durante a visita do monarca.

A favor do Rei

No domingo, o rei disse que abrirá mão de seus poderes absolutos, incluindo o de nomear membros do governo. Com isso, ele acatou uma das principais demandas dos ativistas pró-democracia, que protestam nas ruas do país há seis meses.

Leia mais na BBC Brasil: Rei da Jordânia acata demanda de manifestantes e anuncia reformas

O rei disse ainda que novas reformas serão anunciadas, incluindo novas eleições e nova legislação para os partidos políticos.

Após o início dos protestos, o rei respondeu com rapidez, criando uma comissão para discutir reformas.

Segundo Gavlak, isso poderia explicar por que as manifestações nas cidades da Jordânia têm sido menores e relativamente pacíficas em comparação com as que vêm ocorrendo em outros países árabes.

O correspondente explica que, apesar de os manifestantes terem defendido eleições e mudanças na Constituição, a maioria não quer que Abdullah seja transformado em um rei em poderes, como a rainha Elizabeth 2ª.

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