Panfletos da Otan orientam forças pró-Khadafi a abandonar postos

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Image caption Rebeldes em Misrata também estão sendo orientados a deixar a região

Aviões da Otan estão lançando panfletos sobre a cidade de Zlitan, na região da cidade de Misrata (oeste da Líbia), pedindo aos combatentes favoráveis ao coronel Muamar Khadafi que abandonem os seus postos.

De acordo com o correspondente da BBC Andrew Harding, que está na cidade portuária de Misrata, dominada pelos insurgentes, os rebeldes também estão recebendo da Otan a orientação de deixar o local antes que mais bombardeios da aliança militar ocorram.

As forças da Otan estão realizando ataques contra posições do governo líbio em cumprimento da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que autoriza os ataques com o objetivo de proteger a população civil das ações do regime de Khadafi.

Harding afirma que as forças rebeldes fizeram mais avanços contra as tropas do governo nos arredores de Misrata. De acordo com o correspondente da BBC, os avanços vão do oeste da cidade até os arredores de Zlitan.

Alguns dos combatentes contrários a Khadafi demonstram gratidão pelo apoio das forças ocidentais, mas também manifestam frustração por considerar que o apoio recebido é esporádico e insuficiente, sem permitir grandes avanços, disse o correspondente.

Enquanto isso, mais de 250 imigrantes, a maioria da África Subsaariana, chegaram nesta terça-feira à cidade de Benghazi, principal base dos rebeldes líbios, depois de terem sido evacuados de Misrata.

Recrudescimento dos combates

Forças pró e contra Khadafi se enfrentam em diversas cidades da Líbia deste fevereiro, depois que manifestações populares pedindo reformas democráticas e a saída do líder do poder foram violentamente reprimidas pelo regime.

O correspondente da BBC em Misrata afirma que, no oeste da cidade, é possível ouvir, à distância, os ataques de aviões da Otan contra posições do governo.

Analistas afirmam que houve um recrudescimento dos combates na Líbia nos últimos dias, depois de várias semanas de menor atividade. Rebeldes dizem ter assumido o controle de diversas cidades desde o início deste mês.

Há relatos de que as forças pró-Khadafi dispararam foguetes contra a cidade de Dahiba, na fronteira com a Tunísia, considerada um ponto de passagem fundamental para os insurgentes.

Já perto da capital, Trípoli, a Otan afirma ter atingido diversos alvos militares, enquanto um ataque aéreo também foi registrado próximo ao complexo de Khadafi.

Os últimos bombardeios ocorreram em meio a preocupações quanto à duração da missão na Líbia. O general francês Stéphane Abrial, um dos comandantes estratégicos da Otan, disse que os seus recursos podem se tornar escassos caso a operação continue.

No entanto, o chefe das Forças Armadas britânicas, general David Richards, disse à BBC: "Nós podemos sustentar esta operação pelo tempo que nós quisermos". A Otan assumiu o comando da operação na Líbia em 31 de março.

O governo do Canadá anunciou nesta terça-feira que reconhece o Conselho Nacional de Transição, formado por rebeldes, como o representante legítimo da população líbia.

Anunciando a decisão ao Parlamento, o ministro do Exterior canadense, John Baird, disse que seu país também daria à Líbia mais US$ 2 milhões (R$ 3,1 milhões) em ajuda humanitária. As forças do Canadá estão participando das operações no país árabe.

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