Síria aumenta ações militares, dizem ativistas; milhares fogem para a Turquia

AFP Direito de imagem AFP
Image caption Menina síria é vacinada em campo de refugiados na Turquia

A Síria teria aumentado nesta terça-feira os ataques e invasões a vilarejos no norte do país em operações contra dissidentes do regime, levando milhares de seus cidadãos a buscar refúgio na vizinha Turquia, de acordo com relatos de refugiados e de ativistas.

Soldados e tanques teriam iniciado invasões e ataques a vilarejos ao leste e norte da cidade de Jisr al-Shughour, no noroeste do país, deixando um rastro de destruição por onde passam.

As forças do governo sírio também estariam a caminho da cidade de Maarat an-Naaman, no sudeste do país onde, nos últimos dias, prédios do governo e militares foram atacados, de acordo com a imprensa estatal.

Ativistas também relatam que diversas áreas da cidade costeira de Latakia foram bloqueadas pelo Exército.

Segundo o correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Jim Muir, soldados também foram deslocados para Deir az-Zor, no leste, e a alguns subúrbios de Damasco.

Muir afirma que os protestos contra o presidente sírio, Bashar Al-Assad, continuam sendo realizados em muitas áreas do país, especialmente à noite.

Desde março, a Síria vem sendo cenário de protestos pedindo reformas democráticas e a saída de Assad. Grupos de defesa dos direitos humanos e a ONU estimam que mais de mil pessoas morreram devido à repressão do governo às manifestações.

O repórter da BBC diz ainda que tensões sectárias entre integrantes da maioria sunita e da minoria alawite, à qual pertence o presidente, estão muito altas na Síria.

Estados Unidos e Irã

Em um pronunciamento nesta terça-feira, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que o presidente americano, Barack Obama, defende a saída de Bashar Al-Assad, caso ele não promova mudanças democráticas na Síria.

"Nós pedimos ao presidente Assad para parar com a violência", disse Carney. "Nos termos mais fortes possíveis, nós condenamos a violência perpetrada contra os sírios", afirmou.

"O presidente (Obama) deixou claro que o presidente Assad precisa se comprometer com o diálogo político, e que a transição precisa ocorrer no sentido de maior liberdade política, e se o presidente Assad não liderar esta transição, ele deve então deixar o poder", disse o porta-voz.

Por sua vez, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, disse a jornalistas, em Teerã, que "os aliados de Israel" estão tentando interferir nos assuntos internos da Síria.

"Nós achamos que a questão síria é um assunto interno e que os Estados Unidos e os países ocidentais têm uma postura hipócrita, e seus comentários sobre as questões dos países da região, incluindo a Síria, são muito infames", disse.

Anteriormente, o governo americano afirmou que o regime de Teerã poderia estar ajudando a Síria na repressão aos manifestantes.

Refugiados

O repórter da BBC Jonathan Head afirma que os ataques do Exército sírio obrigam várias pessoas a fugir para a Turquia. Segundo Head, que está na fronteira, alguns refugiados relatam cenas de atrocidades cometidas pelas forças do governo.

O repórter da BBC afirma que muitas pessoas ainda não conseguiram cruzar a fronteira. Head diz que as condições dos acampamentos de refugiados do lado sírio são muito piores do que os do lado turco, especialmente depois de tempestades no local.

De acordo com o correspondente, algumas pessoas têm medo de deixar seus bens e seus animais para trás e ficar à mercê das autoridades da Turquia. No entanto, Head diz que os sírios são bem-recebidos pelos moradores da cidade turca de Guvecci, na fronteira.

O Exército turco faz a patrulha da estrada que passa ao longo da fronteira. Head afirma que os refugiados têm permissão para fazer compras pela manhã e voltar aos acampamentos, mas, em outros casos, o acesso a esta parte da fronteira está bloqueado.

Notícias relacionadas