Paquistão 'prendeu informantes da CIA' no caso Bin Laden, dizem jornais dos EUA

Soldados paquistaneses guardam casa onde Bin Laden foi morto (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Operação que matou Bin Laden abalou relações entre EUA e Paquistão

O Paquistão teria prendido cinco supostos informantes da CIA, que teriam ajudado na operação dos militares americanos que resultou na morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, no norte do país em maio, segundo informações da imprensa dos Estados Unidos.

De acordo com o jornal The New York Times, entre os detidos pelo ISI, o serviço de inteligência paquistanês, estaria o dono da casa alugada à CIA para monitorar Bin Laden na cidade de Abbottabad, onde foi morto.

Mas, em declarações à BBC, as autoridades paquistanesas negam as prisões.

"Nenhum soldado paquistanês está preso, mas estamos interrogando várias pessoas que suspeitamos terem trabalhado para os serviços de inteligência americanos", afirmou o porta-voz dos Serviços de Relações Públicas do Paquistão, brigadeiro Azmat Abbas à BBC.

Abbas afirmou ainda que, entre os detidos, estão pessoas "capturadas durante uma operação em uma casa localizada perto do complexo onde estava Bin Laden" em Abbottabad.

"Suspeitamos que eles tenham trabalhado para a CIA", disse. "Outros estão sendo interrogados, incluindo pessoas que costumavam visitar o complexo."

De acordo com o correspondente da BBC em Islamabad Ilyas Khan, dezenas de pessoas foram presas e liberadas em seguida pelas agências de segurança paquistanesas desde a morte do líder da Al-Qaeda, e, pelo menos cinco destas pessoas ainda não foram libertadas.

Segundo Khan, as autoridades paquistanesas parecem fazer todos os esforços para descobrir quem são os informantes da CIA enquanto demonstram pouco interesse em prender partidários do Talebã ou da Al-Qaeda.

Dois irmãos

Logo depois da morte de Bin Laden no dia 2 de maio, testemunhas informaram à BBC que dois irmãos, ambos primos do mensageiro de Bin Laden, foram presos no vilarejo onde moravam.

Um integrante das forças de segurança também foi detido na área próxima do complexo onde o líder da Al-Qaeda foi morto em Abbottabad, segundo testemunhas. Ainda não se sabe se ele pertencia ao setor de inteligência da polícia ou do Exército e ainda não foram divulgadas outras informações sobre ele.

Nas semanas depois da morte do líder da Al-Qaeda também foram presos o empreiteiro que construiu a casa onde Bin Laden foi morto, Nor Mohammad, um negociante de imóveis identificado pelas testemunhas como Kallem, o vizinho de Bin Laden Shamrez e seu pai Zain Mohammed.

Todos eles, exceto Kaleem, foram libertados. Mas, segundo Ilyas Khan, desapareceram em seguida. Ainda não se sabe se estes homens estão entre os informantes da CIA que foram detidos.

Segundo o The New York Times, entre estas últimas detenções estaria um major do Exército paquistanês que teria anotado as placas de vários carros que visitaram o complexo onde estava Bin Laden nas semanas antes da operação que resultou em sua morte. O governo do Paquistão nega esta informação.

Relações abaladas

A operação que resultou na morte de Osama Bin Laden abalou as relações entre Estados Unidos e Paquistão.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que "alguém" estava protegendo o líder da Al-Qaeda no país.

O Paquistão, por sua vez, negou que soubesse do paradeiro de Bin Laden.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou durante uma visita recente ao país que não havia "nenhuma prova de que alguém nos níveis mais altos do governo paquistanês" soubesse onde Bin Laden estava.

Os Estados Unidos já reduziram muito sua presença no país, a pedido do governo do Paquistão.

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