FMI reduz previsão de crescimento do Brasil e alerta para gastos governamentais

Sede do FMI (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Relatório do Fundo pede que países não dependam tanto de políticas monetárias

O FMI reduziu sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e fez um apelo por controle de gastos governamentais na América Latina.

Em relatório prévio, datado de abril, a previsão era de que o PIB do Brasil crescesse 4,5% neste ano e 4,1% em 2012. Essas estimativas foram rebaixadas, respectivamente, para 4,1% e 3,6%.

No relatório divulgado nesta sexta-feira, o Fundo pede redução no ritmo das despesas estatais na América Latina e no Caribe, para que o controle de problemas como a inflação e a valorização da moeda não dependam excessivamente de políticas monetárias (como, por exemplo, as taxas de juros).

“Ainda que muitos países tenham ido na direção de aumentar as taxas de juros nos meses recentes, é importante que se (...) reduza o ritmo dos gastos governamentais, para evitar um fardo excessivo sobre a política monetária, num contexto de considerável fluxo de capitais e de apreciação monetária”, afirma o relatório.

O trecho do relatório não cita nominalmente o Brasil, que na semana passada promoveu novo aumento na taxa básica de juros (Selic) – atualmente em 12,25% ao ano -, em esforço para conter as pressões inflacionárias.

Mas em texto específico sobre monitoramento fiscal, o FMI destaca que o Brasil está no caminho para cumprir sua meta de superávit fiscal (receita menos despesas, antes do pagamento dos juros da dívida) em 2011 e atribui o provável cumprimento à redução de estímulos estatais.

'Volatilidade financeira'

No cenário internacional, “após acalmar durante boa parte da primeira metade de 2011, as condições financeiras globais ficaram mais voláteis desde o fim de maio”, adverte o relatório do Fundo.

“Isso reflete preocupações do mercado quanto a riscos relacionados a acontecimentos na zona periférica do euro (em aparente referência à crise da dívida em países como a Grécia) e ao recente arrefecimento das atividades (econômicas) e debilidade do mercado imobiliário nos Estados Unidos.”

Outro perigo apontado no relatório é o de que se alastre a falta de confiança na recuperação da zona do euro.

“Preocupações do mercado sobre possíveis reveses na recuperação americana também surgiram. Se esses riscos se concretizarem, eles vão reverberar pelo resto do mundo”, dificultando a obtenção de dinheiro por parte de bancos e corporações nos países desenvolvidos e reduzindo o fluxo de capital para economias emergentes, aponta o relatório.

Para Japão e Estados Unidos, o FMI pede “a implementação de programas críveis e ritmados que foquem a sustentabilidade de médio prazo” dos deficits públicos de ambos os países.

O relatório destaca a piora nas notas de classificação de risco em economias como Grécia, Irlanda e Portugal e em outras da zona do euro, “refletindo preocupações de que será difícil chegar ao consenso político necessário para a consolidação fiscal e para reformas estruturais” que permitam a redução das dívidas públicas dessas nações.

Atividade econômica

Nas economias emergentes, o perigo apontado pelo Fundo continua sendo o de superaquecimento e o de pressão inflacionária.

O FMI prevê que a atividade econômica global registre redução neste trimestre, mas volte a acelerar no segundo semestre deste ano. Nas economias avançadas, a média de crescimento é estimada em cerca de 2,5% entre 2011 e 2012; nos emergentes, essa previsão é de cerca de 6,5%.

Já os preços das commodities, cuja recente alta provocou apreensão e protestos em diversas partes do mundo, parecem estar “se estabilizando”, ainda que o risco de alta não esteja descartado – especialmente no caso do petróleo, por conta dos distúrbios nos países árabes.

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